7/25/2007

NÓS, CONCHAS MEDÍOCRES E BAÇAS À BEIRA-MAR ESPARRAMADAS




Durante anos e anos, dessa criatura solene e obsoleta, escorreu um líquido viscoso e podre, certamente criado no seu ventre inchado, cada vez mais inchado, que de tudo se alimentou, preferindo sobretudo pacotes discretos em numerário.

Na sua ética de clã, todos se alimentaram. Amanuenses analfabetos e sisudos, que nos miravam com a altivez e o desprezo de quem domina, de quem, sem mérito ou competência, pode subjugar o outro. Licenciados em rame-rame ornamentado com frases bacocas, criaturas negando Copérnico, padrecas de fato cheio de caspa.

Todos fizeram pela vidinha. De forma despudorada, não só nada dando em troca, como pactuando, por acção ou omissão, com todo o tipo de trapaças.

Vem agora o Sr. Barata Lopes, Presidente da Ordem dos Notários, resmungar contra o óbvio, contra o evidente, contra o indispensável.

Diz o Sr. Barata Lopes que os cidadãos perdem garantias. Que se facilita a fraude.

Como é que este senhor tem a distinta lata de abrir a boca, de sequer fazer um esgar?!

Todos nós (sobretudo aqueles que pertencem a grupos protegidos) fizemos pela vidinha. Aldrabámos e surripiámos o próximo desculpando-nos com “O Sistema”, “A Burocracia”, ou “A Lei”.

Mas como na história do outro, há uns que surripiaram mais.

E normalmente são os que, devendo estar calados, mais reclamam.

Continuamos conchas medíocres e baças à beira-mar esparramadas.

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