Não analisei com a mínima atenção o novo Mapa Judiciário. No entanto tenho a certeza que é óptimo.
Para tal convicção foi suficiente a opinião do sr. Cluny. Tenho este modo lapidar, tosco até, de analisar as reformas da justiça. Tudo o que merece a desaprovação do sr. Cluny, com aquele ar de funcionário enfadado, tem o meu imediato e entusiástico apoio.
Cada um é para o que nasce. Estou absolutamente convencido que o sr. Cluny é daquelas criaturas colocadas na terra por Nosso Senhor para nos guiar. Um farol, portanto. Nunca se deve ir por onde vai o sr. Cluny.
Louvado seja.
Amén.
À mãe, ao pai e ao filho também.
8/19/2008
THE SILLY SEASON CHRONICLES
Há 2 semanas, o jornal "Expresso" publicava uma primeira página "metrossexual": Cavaco chateado com Sócrates por causa de Manuela. O artigo propriamente dito era uma imenso nada, feito de boatos, coincidências e mau jornalismo. Insinuava (?!) que o PR poderia vetar o novo Mapa Judiciário.
Afinal, o mapa foi promulgado.
Claro que o Expresso pode sempre alegar que era apenas uma hipótese e esperar que algum dos diplomas referidos no artigo venha a ser vetado, para afirmar retumbante, a sua sagacidade e conhecimento do milieu político, mas não deixa de ser um caso claro de frete político.
Ou se calhar nem isso. Se calhar é apenas e só mau jornalismo de verão.
Felizmente o Expresso é um jornal bojudo e bastante largo, o que dá muito jeito para pôr debaixo da gaiola dos pássaros.
Afinal, o mapa foi promulgado.
Claro que o Expresso pode sempre alegar que era apenas uma hipótese e esperar que algum dos diplomas referidos no artigo venha a ser vetado, para afirmar retumbante, a sua sagacidade e conhecimento do milieu político, mas não deixa de ser um caso claro de frete político.
Ou se calhar nem isso. Se calhar é apenas e só mau jornalismo de verão.
Felizmente o Expresso é um jornal bojudo e bastante largo, o que dá muito jeito para pôr debaixo da gaiola dos pássaros.
8/06/2008
A NÓDOA
O Dr. Vasco Graça Moura foi, nos tempos do cavaquismo, uma espécie de moicano, que pela sua retórica, gerou pequenos ódios.
Note-se que toda a sua capacidade argumentativa nunca conseguiu esconder o rísivel da substância. Que mais ridícula se tornou, quando se verificou, mais uma vez que o PSD era e é um partido sem ideologia, onde se confunde a liberdade de pensamento com o desconchavo doutrinário.
Esta atitude, vinda de alguém como o Sr. Moura, suscita-me a seguinte questão: o exercício político é um acto de razão ou de emoção?
Entendo que deve ser, na sua prática, um exercício da razão, sob pena de se tornar um facciosismo.
A tese central do Dr. Moura, tem subjacente uma realidade mais do que improvável, absolutamente desmentida pelos factos: no PSD, embora estejamos ideologicamente perto do PS, somos diferentes, melhores.
Não fundamenta, não justifica, não demonstra.
Ora, o Dr. Moura é demasiado inteligente para ser faccioso. Julga no entanto que a melhor maneira de agitar a populaça é apelar aos sentimentos mais primários, suscitar nos seus apaniguados e nos seus opositores coisas bem manipuláveis, evitando discutir assim o essencial.
Porque o essencial é de uma pobreza atroz, resultado de um PSD que não soube recuperar no penoso pós-cavaquismo.
O populismo do Dr. Meneses, mais tosco, foi substituído pelo populismo manipulador e mais burilado do Dr. Moura.
Por debaixo do sólido social-democrata Moura continua a existir um cínico, um timoneiro de trazer por casa.
O manipulador sobrevive das reacções dos outros, criatura mal amanhada que vai repetindo os mesmos gestos, espécie de personagem de filmes de ficção-científica de série B.
Temos pena. Anteontem a procriativa funcionalista, ontem o estrangeirado insípido, hoje o manipulador.
Não vou perder mais tempo com o Dr. Moura.
Amanhã esta gente pode estar no poder.
Copenhague, mon amour, here I came.
Note-se que toda a sua capacidade argumentativa nunca conseguiu esconder o rísivel da substância. Que mais ridícula se tornou, quando se verificou, mais uma vez que o PSD era e é um partido sem ideologia, onde se confunde a liberdade de pensamento com o desconchavo doutrinário.
Esta atitude, vinda de alguém como o Sr. Moura, suscita-me a seguinte questão: o exercício político é um acto de razão ou de emoção?
Entendo que deve ser, na sua prática, um exercício da razão, sob pena de se tornar um facciosismo.
A tese central do Dr. Moura, tem subjacente uma realidade mais do que improvável, absolutamente desmentida pelos factos: no PSD, embora estejamos ideologicamente perto do PS, somos diferentes, melhores.
Não fundamenta, não justifica, não demonstra.
Ora, o Dr. Moura é demasiado inteligente para ser faccioso. Julga no entanto que a melhor maneira de agitar a populaça é apelar aos sentimentos mais primários, suscitar nos seus apaniguados e nos seus opositores coisas bem manipuláveis, evitando discutir assim o essencial.
Porque o essencial é de uma pobreza atroz, resultado de um PSD que não soube recuperar no penoso pós-cavaquismo.
O populismo do Dr. Meneses, mais tosco, foi substituído pelo populismo manipulador e mais burilado do Dr. Moura.
Por debaixo do sólido social-democrata Moura continua a existir um cínico, um timoneiro de trazer por casa.
O manipulador sobrevive das reacções dos outros, criatura mal amanhada que vai repetindo os mesmos gestos, espécie de personagem de filmes de ficção-científica de série B.
Temos pena. Anteontem a procriativa funcionalista, ontem o estrangeirado insípido, hoje o manipulador.
Não vou perder mais tempo com o Dr. Moura.
Amanhã esta gente pode estar no poder.
Copenhague, mon amour, here I came.
8/04/2008
AINDA HÁ ESPERANÇA?
O Bloco de Esquerda tem cometido uma série de erros crassos na sua estratégia. Se alguns desses erros não passam para a opinião pública (v.g. a tentativa pouco prudente de ganhar o "seu" espaço na CGTP, que acabou menos mal perante a reacção despropositada e desproporcional do "apparatchik" comunista naquela central) outros são verdadeiras marteladas no seu eleitorado.
A "guerrilha" com Sá Fernandes é uma das maiores marteladas nos próprios pés que o Bloco dá. É estúpida. Com isto o Bloco dá a ideia de ter todos os defeitos dos aparelhos partidários (luta por lugares, constante clima de conspiração, grupelhos), sem apresentar nenhuma vantagem decorrente de uma organicidade mais soft.
Felizmente que uma réstia de bom senso ainda está presente no espírito de alguns bloquistas, como Daniel Oliveira, até porque existe espaço político à esquerda do PS e o PC, por mais que tente, não o consegue ocupar.
A "guerrilha" com Sá Fernandes é uma das maiores marteladas nos próprios pés que o Bloco dá. É estúpida. Com isto o Bloco dá a ideia de ter todos os defeitos dos aparelhos partidários (luta por lugares, constante clima de conspiração, grupelhos), sem apresentar nenhuma vantagem decorrente de uma organicidade mais soft.
Felizmente que uma réstia de bom senso ainda está presente no espírito de alguns bloquistas, como Daniel Oliveira, até porque existe espaço político à esquerda do PS e o PC, por mais que tente, não o consegue ocupar.
7/30/2008
SINAIS INEQUÍVOCOS
Se dúvidas existiam sobre a fraqueza, a inconsistência e a pobreza franciscana da liderança de Manuela Ferreira Leite, elas são completamente esclarecidas pela constante intervenção "explicativa" do insigne doutrinador Prof. Vasco Graça Moura. Aqui.
7/29/2008
CLEPTÓMANOS
Esta notícia promete, se tiver algum fundamento, pôr os senhores doutores aos berros.
Se um empregador der formação profissional altamente especializada a um seu trabalhador, pode, de forma lícita, exigir que o mesmo permaneça na empresa durante um determinado tempo. De igual forma pode exigir que o trabalhador, durante um determinado prazo, mesmo depois de cessado o contrato, que não exerça a sua actividade na concorrência. Para além disso, existe um dever geral de fidelidade entre as partes.
Em Portugal, o exercício da Medicina está fora de todas estas regras.
Repare-se que um médico (profissão altamente especializada) é formado com dinheiro dos contribuintes. Essa formação tem um custo elevado, da qual o formando apenas paga uma ínfima parte.
Terminada essa formação, não só não é formalmente exigido ao médico que recompense quem o formou, como é sistematicamente violado o dever de fidelidade e de não concorrência.
É comum, de forma mais explícita ou mais encapotada, que os médicos reencaminhem, de manhã, doentes nos hospitais públicos, para à tarde os atenderem no privado, onde exercem, com o argumento que o serviço público não responde à procura.
Todos tem direito ao justo vencimento, independentemente dos critérios para se estabelecer o que é justo (oferta/procura, importância social do serviço prestado, etc.).
Só que quem quer ganhar dinheiro e fazer disso profissão, modus vivendi, não vai para médico. Vai para empresário, gestor. Não para médico.
Para além disso, o serviço prestado (medicina) não é propriamente elástico. Quer dizer, a esmagadora maioria das pessoas, não tendo acesso a médico, não vai recorrer a curandeiros.
Este monopólio "natural" precisa de regras.
Para médico só pode ir quem tiver vocação e perceber realmente o que é ser médico.
Sem prejuízo de existirem muitos médicos que são um exemplo cívico, a imagem da classe é hoje a do paradigma típico da ganância, do egoísmo e da completa ausência de ética.
O problema é que a adição e a dependência e outras vicissitudes do foro psiquiátrico são "patologias" de difícil tratamento.
Como por exemplo, a CLEPTOMANIA. Com uma pequena particularidade: o roubo não incide sobre coisas sem valor, mas sobre os bolsos alheios.
Se um empregador der formação profissional altamente especializada a um seu trabalhador, pode, de forma lícita, exigir que o mesmo permaneça na empresa durante um determinado tempo. De igual forma pode exigir que o trabalhador, durante um determinado prazo, mesmo depois de cessado o contrato, que não exerça a sua actividade na concorrência. Para além disso, existe um dever geral de fidelidade entre as partes.
Em Portugal, o exercício da Medicina está fora de todas estas regras.
Repare-se que um médico (profissão altamente especializada) é formado com dinheiro dos contribuintes. Essa formação tem um custo elevado, da qual o formando apenas paga uma ínfima parte.
Terminada essa formação, não só não é formalmente exigido ao médico que recompense quem o formou, como é sistematicamente violado o dever de fidelidade e de não concorrência.
É comum, de forma mais explícita ou mais encapotada, que os médicos reencaminhem, de manhã, doentes nos hospitais públicos, para à tarde os atenderem no privado, onde exercem, com o argumento que o serviço público não responde à procura.
Todos tem direito ao justo vencimento, independentemente dos critérios para se estabelecer o que é justo (oferta/procura, importância social do serviço prestado, etc.).
Só que quem quer ganhar dinheiro e fazer disso profissão, modus vivendi, não vai para médico. Vai para empresário, gestor. Não para médico.
Para além disso, o serviço prestado (medicina) não é propriamente elástico. Quer dizer, a esmagadora maioria das pessoas, não tendo acesso a médico, não vai recorrer a curandeiros.
Este monopólio "natural" precisa de regras.
Para médico só pode ir quem tiver vocação e perceber realmente o que é ser médico.
Sem prejuízo de existirem muitos médicos que são um exemplo cívico, a imagem da classe é hoje a do paradigma típico da ganância, do egoísmo e da completa ausência de ética.
O problema é que a adição e a dependência e outras vicissitudes do foro psiquiátrico são "patologias" de difícil tratamento.
Como por exemplo, a CLEPTOMANIA. Com uma pequena particularidade: o roubo não incide sobre coisas sem valor, mas sobre os bolsos alheios.
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