Esperava, ou melhor, gostava sinceramente que o PS tivesse à sua direita(?) uma oposição minimamente credível. Não espero do PCP ou do BE qualquer contributo. Para além da questão estrutural destes partidos, acresce que o seu objectivo imediato passa apenas e só pela contagem de espingardas, pela disputa taco a taco pelo "povo de esquerda", leia-se à esquerda do PS, composto por um trágico cocktail de preconceito, ingenuidade, autismo e ignorância.
O conclave social-democrata, posto perante o perigo de dissolução do partido, agiu como sempre: de forma timorata e ciente da impossibilidade de resolução a curto prazo da maior parte dos problemas, deliberou, de forma cobarde e irresponsável, nomear Manuela Ferreira Leite, como o rosto do novo PSD. Manuela Ferreira Leite, a política, que não a pessoa entenda-se, é alguém que formou a maioria das suas opiniões, a sua mundividência, com base num país que já não existe, o país do restaurador olex, do respeitinho e de meia dúzia de manuais escolares com cheiro a bafio. Não conseguiu, como aliás muita gente não consegue, perceber o mundo hoje. Não consegue perceber que a Lisboa das senhoras de cabelo armado, de senhores compostos e de cafés chiques, ufana da sua modernidade de Duarte Pacheco, com polícias sinaleiros, já terminou. A procriação é apenas um sintoma.
Se o mau resultado se adivinhava, a sua dimensão trágica está a ultrapassar todos os limites.
Paulo Rangel entrou no ringue, acarinhado por todos, aqueceu frenético, acelerou em ponto morto e antes de sequer atingir o oponente, embrulhou-se nos próprios pés e caiu redondo. Ontem tentava justificar-se, ainda visivelmente combalido, na SIC Notícias.
Manuel Ferreira Leite continua com a mesma coerência de sempre: voltou a dar um belo exemplo sobre o que pensa da vida e da sociedade. Manuela julga que está a dar aulas a um conjunto de miúdos cábulas e ignorantes e neste contexto limita-se a abordar com leveza, um conjunto de ideias que quer que a pequenada aprenda. Ainda não percebeu que as suas ideias estão desfocadas da realidade, essa coisa cruel que está em permanente mudança. Tudo se resume a um sumário fastidioso e entediante. Aquilo que alguns qualificam de parco é apenas e só estéril.
Prova inequívoca disso mesmo é a crónica de hoje de Vasco Graça Moura, no Diário de Notícias, que tenta transformar o nada de Manuela em algo com a mínima relevância. Nem mesmo Vasco é provido da graça para tal.
Estão todos à deriva.
Cada um com o seu insuflável devidamente preparado para o salvamento, quando o barco se afundar.
7/16/2008
7/03/2008
MARCELOSE
Em trânsito pelo Aeroporto de Barajas ouvi boatos que davam como certo o lúcido e prestimoso deputado Bernardino Soares a liderar as FARC.
Não acredito.
O Dr. Bernardino tem ideias peculiares, mas não é estúpido.
Não acredito.
O Dr. Bernardino tem ideias peculiares, mas não é estúpido.
A CATACUMBA
Vamos por partes. Nunca reconheci à senhora especiais competências, rigor ou credibilidade que a destacassem. Apenas um ar seco de memorizadora de teorias bolorentas.
Estou cada vez mais convencido que a liderança do PSD é como todas, a prazo. No caso com prazo certo. Mais uma vez a intelligentsia do PSD revelou-se cobarde e considerou que apesar das dificuldades de Sócrates, não valia a pena arriscar e queimar o futuro líder. Diz tudo (ou quase tudo) sobre o empenho e a vontade de arriscar dos dirigentes do PSD.
Neste momento o partido é dirigido por um colégio. Na primeira oportunidade cometeram o pecado que momentos antes tinham criticado: o soundbyte em tempo real, o comentário gratuito e vazio. Assim que Ferreira Leite criticou as "obras públicas" os habituais artistas de stand up comedy do PSD apressaram-se a concretizar, cada um fazendo das suas ideias e opiniões teses oficiais do partido: as barragens, o tgv, a estrada entre a Carrapatosa de Baixo e a Piolheira de Cima.
Resultado: Manuela foi para a televisão repetir, com aquele ar enfadado de professora farta da ignorância dos alunos, lugares-comuns e viu-se obrigada a desmentir o seu staff (mesmo os seus putativos membros).
Toda esta mediocridade se tornou no entanto irrelevante porque na única pergunta que saiu fora da cartilha das finanças, Manuela revelou-se.
O grave não foi a resposta. Cada um defende e deve defender livremente aquilo em que acredita. Se a senhora é contra o casamento homossexual está no seu direito e sinceramente não me choca.
O que me espantou e deixou assustado foi o fundamento da resposta. O mesmo fundamento bolorento, caduco e anacrónico de há mais de 40 anos. O mesmo lugar-comum: o casamento foi pensado para a procriação. Pura e simplesmente a demonstração que o pensamento de Ferreira Leite é um gigantesco lugar-comum, árido e estéril.
Valha-nos Deus
Estou cada vez mais convencido que a liderança do PSD é como todas, a prazo. No caso com prazo certo. Mais uma vez a intelligentsia do PSD revelou-se cobarde e considerou que apesar das dificuldades de Sócrates, não valia a pena arriscar e queimar o futuro líder. Diz tudo (ou quase tudo) sobre o empenho e a vontade de arriscar dos dirigentes do PSD.
Neste momento o partido é dirigido por um colégio. Na primeira oportunidade cometeram o pecado que momentos antes tinham criticado: o soundbyte em tempo real, o comentário gratuito e vazio. Assim que Ferreira Leite criticou as "obras públicas" os habituais artistas de stand up comedy do PSD apressaram-se a concretizar, cada um fazendo das suas ideias e opiniões teses oficiais do partido: as barragens, o tgv, a estrada entre a Carrapatosa de Baixo e a Piolheira de Cima.
Resultado: Manuela foi para a televisão repetir, com aquele ar enfadado de professora farta da ignorância dos alunos, lugares-comuns e viu-se obrigada a desmentir o seu staff (mesmo os seus putativos membros).
Toda esta mediocridade se tornou no entanto irrelevante porque na única pergunta que saiu fora da cartilha das finanças, Manuela revelou-se.
O grave não foi a resposta. Cada um defende e deve defender livremente aquilo em que acredita. Se a senhora é contra o casamento homossexual está no seu direito e sinceramente não me choca.
O que me espantou e deixou assustado foi o fundamento da resposta. O mesmo fundamento bolorento, caduco e anacrónico de há mais de 40 anos. O mesmo lugar-comum: o casamento foi pensado para a procriação. Pura e simplesmente a demonstração que o pensamento de Ferreira Leite é um gigantesco lugar-comum, árido e estéril.
Valha-nos Deus
6/26/2008
BICO-DE-OBRA
Sejamos honestos: não se afigura nada fácil a vida da Dr.ª Ferreira Leite no que diz respeito ao capítulo"sou diferente do eng.º Sócrates". Quer dizer, algumas diferenças são notórias, mas irrelevantes.
Acresce que tenho sérias dúvidas sobre a capacidade do thinking tank que rodeia a Dr.ª Ferreira Leite para a interpretar a realidade com o mínimo de bom senso. Muitos deles são co-responsáveis por essa época gloriosa da social-democracia conhecida por barrosismo.
O resultado está à vista. O anúncio da reponderação sobre as obras públicas não só tresanda a demagogia como permitiu que tudo quando é cacique local ou putativo opinion maker viesse a público dar a sua opinião.
A ópera bufa continua.
Acresce que tenho sérias dúvidas sobre a capacidade do thinking tank que rodeia a Dr.ª Ferreira Leite para a interpretar a realidade com o mínimo de bom senso. Muitos deles são co-responsáveis por essa época gloriosa da social-democracia conhecida por barrosismo.
O resultado está à vista. O anúncio da reponderação sobre as obras públicas não só tresanda a demagogia como permitiu que tudo quando é cacique local ou putativo opinion maker viesse a público dar a sua opinião.
A ópera bufa continua.
6/23/2008
MANUELA FERREIRA MENDES PLUS
Não tendo nenhuma angústia existencial profunda, segui de longe o Congresso do PSD.
Tirando esta ressalva, parece-me claro que o dito congresso se limitou a acrescentar mais um traço num já claro desenho.
Vamos por partes.
Luís Marques Mendes foi indigitado para cumprir um papel ingrato. Garantir a sobrevivência do PSD como partido do arco de governação, perante um Sócrates pujante. Digamos que se ninguém o empurrou, também não lhe deram a mão, pelo que acabou por sair, farto das caneladas, tendo sido substituído pelo caneleiro-mor.
Grande parte da inteligentzia do Partido ficou à beira do pânico, perante os sucessivos disparates e o perigo objectivo de o PSD se dissolver.
Reunidas as tropas, a estratégia ficou clara: apesar de Sócrates estar consideravelmente desgastado, ninguém no PSD quis e quer verdadeiramente enfrentá-lo. Porque o PSD é, neste momento, como Mogadíscio: nunca ninguém sabe o que é que pode estar atrás de cada porta ou ao virar de cada esquina. O Partido fragmentou-se, é hoje uma amálgama de capelinhas e de pequenos poderes locais ou sectoriais. Também não deixa de ser verdade que o número de pessoas que podem enfrentar Sócrates é mínimo e que o mais capaz, tendo muitas qualidades políticas, não gosta de perder e ninguém no PSD tem a convicção de que é possível derrotar Sócrates.
Resumindo: era necessário encontrar alguém que dificilmente ganhando a Sócrates, garantisse um resultado "honroso" e mantivesse o partido à tona. Só aí, com Sócrates desgastado, surgirá o verdadeiro líder.
Manuela Ferreira Leite pode desempenhar para alguns, esse papel. Até lá, Rui Rio vai manter-se na sua toca autárquica, de onde sairá de vez enquanto para dizer presente, até ao dia em que vencer Sócrates seja plausível.
A estratégia é inteligente, mas pode vir a revelar-se estúpida.
Manuela Ferreira Leite não é a líder do PSD. É como Marques Mendes, a gestora corrente, até que melhores dias cheguem.
A estratégia de Rio e dos seus pares é repito, inteligente. Mas revela falta de coragem política, o que é mau sinal para um candidato a Primeiro-Ministro.
Correndo ainda o perigo de ver Ferreira Leite chegar a Primeira-Ministra, o que seria irónico, no meio de tanta intriga palaciana.
Tirando esta ressalva, parece-me claro que o dito congresso se limitou a acrescentar mais um traço num já claro desenho.
Vamos por partes.
Luís Marques Mendes foi indigitado para cumprir um papel ingrato. Garantir a sobrevivência do PSD como partido do arco de governação, perante um Sócrates pujante. Digamos que se ninguém o empurrou, também não lhe deram a mão, pelo que acabou por sair, farto das caneladas, tendo sido substituído pelo caneleiro-mor.
Grande parte da inteligentzia do Partido ficou à beira do pânico, perante os sucessivos disparates e o perigo objectivo de o PSD se dissolver.
Reunidas as tropas, a estratégia ficou clara: apesar de Sócrates estar consideravelmente desgastado, ninguém no PSD quis e quer verdadeiramente enfrentá-lo. Porque o PSD é, neste momento, como Mogadíscio: nunca ninguém sabe o que é que pode estar atrás de cada porta ou ao virar de cada esquina. O Partido fragmentou-se, é hoje uma amálgama de capelinhas e de pequenos poderes locais ou sectoriais. Também não deixa de ser verdade que o número de pessoas que podem enfrentar Sócrates é mínimo e que o mais capaz, tendo muitas qualidades políticas, não gosta de perder e ninguém no PSD tem a convicção de que é possível derrotar Sócrates.
Resumindo: era necessário encontrar alguém que dificilmente ganhando a Sócrates, garantisse um resultado "honroso" e mantivesse o partido à tona. Só aí, com Sócrates desgastado, surgirá o verdadeiro líder.
Manuela Ferreira Leite pode desempenhar para alguns, esse papel. Até lá, Rui Rio vai manter-se na sua toca autárquica, de onde sairá de vez enquanto para dizer presente, até ao dia em que vencer Sócrates seja plausível.
A estratégia é inteligente, mas pode vir a revelar-se estúpida.
Manuela Ferreira Leite não é a líder do PSD. É como Marques Mendes, a gestora corrente, até que melhores dias cheguem.
A estratégia de Rio e dos seus pares é repito, inteligente. Mas revela falta de coragem política, o que é mau sinal para um candidato a Primeiro-Ministro.
Correndo ainda o perigo de ver Ferreira Leite chegar a Primeira-Ministra, o que seria irónico, no meio de tanta intriga palaciana.
6/16/2008
O EQUÍVOCO
Este artigo do Prof. Vital Moreira gerou uma série de comentários e artigos conexos.
Sem prejuízo da validade dos mesmos, faz-me muita, mesmo muita confusão o facto de várias pessoas não conseguirem entender aquele que é o núcleo essencial do PS e daí concluírem necessariamente que qualquer entendimento à esquerda é absolutamente impossível.
Apesar de no seu seio existirem alguns tiranetes, poderes comezinhos e de o dito aparelho precisar rapidamente de uma revisão geral para limpar o muito calcário que se foi acumulando, o Partido Socialista é um partido democrático, que acredita na democracia parlamentar.
Donde se conclui que qualquer entendimento com o Partido Comunista Português é impossível, que aliás com muito coerência defende o centralismo democrático.
Por outro lado, o Bloco de Esquerda, não sendo propriamente um partido comunista, não deixa de actuar baseado num pressuposto de superioridade moral que inviabiliza qualquer entendimento de boa-fé. Julgo mesmo que nenhum outro partido (talvez com excepção do PP) tem uma diferença tão acentuada entre o seu núcleo dirigente e as bases. Grande parte dos eleitores do Bloco não se identifica com a tentativa ridícula de take-over sobre os sindicatos da CGTP ou a colagem às reivindicações do funcionalismo público conservador, mas apenas com o ar pseudo-liberal de algumas propostas do Bloco e convenhamos, com a atitude de contra-poder. No dia em que as bases perceberem o que é o Thinking Tank (melhor dizendo o Sinking Tank) do Bloco, a debandada vai deixar o "partido" reduzido aos velhos trotskista e afins.
O facto de ser de esquerda não obriga o PS a olhar para a esquerda como o pastor que chama as ovelhas tresmalhadas ou como o pai embevecido pelas travessuras dos putos. O PS até pode olhar para a esquerda, mas para lá do risco que delimita a sua própria coerência, não vale a pena. De lá nem bons ventos e muito menos bons casamentos.
6/09/2008
SAME OLD STORY II
Os portugueses são (por natureza) inorgânicos, num duplo sentido: somos um bocado calhaus e temos grande dificuldade de nos organizarmos.
Excepto quando surgimos em forma dessa coisa proto-orgânica (e protozoária) chamada A Malta.
Sozinhos não vamos a lado nenhum. Nem sequer saímos de casa. Com a Malta, ou por causa dela, vamos ao café, ao fim da rua ou a pé até Pequim.
Para que a Malta funcione bastam uns quilos de bifanas, umas "mines" e a completa ausência de bom senso.
O resultado é normalmente patético. Por vezes, como no caso dos camionistas, além de patético é ilícito e inclui meia dúzia de crimes (tipo coacção, ofensas à integridade física, atentado à segurança de transporte rodoviário, enfim, minudências) mas nada que não se resolva...dentro do "bom velho espírito portuga".
Excepto quando surgimos em forma dessa coisa proto-orgânica (e protozoária) chamada A Malta.
Sozinhos não vamos a lado nenhum. Nem sequer saímos de casa. Com a Malta, ou por causa dela, vamos ao café, ao fim da rua ou a pé até Pequim.
Para que a Malta funcione bastam uns quilos de bifanas, umas "mines" e a completa ausência de bom senso.
O resultado é normalmente patético. Por vezes, como no caso dos camionistas, além de patético é ilícito e inclui meia dúzia de crimes (tipo coacção, ofensas à integridade física, atentado à segurança de transporte rodoviário, enfim, minudências) mas nada que não se resolva...dentro do "bom velho espírito portuga".
SAME OLD STORY
A questão é muito, mesmo muito simples: porque raio é que todos (os que pagam impostos) devem pagar para manter artificialmente o negócio de uma minoria? Se uma empresa não consegue sobreviver no mercado, o correcto é subsidiá-la?
Podemos discutir a carga fiscal, mas isso não afasta a questão essencial. Quando uma empresa não consegue sobreviver no mercado, não deve ser o contribuinte a pagar a sua sobrevivência fictícia. Devem ser os accionistas ou os sócios.
Curiosamente, quando os custos baixam, tal não tem o correlativo reflexo nos preços...
Podemos discutir a carga fiscal, mas isso não afasta a questão essencial. Quando uma empresa não consegue sobreviver no mercado, não deve ser o contribuinte a pagar a sua sobrevivência fictícia. Devem ser os accionistas ou os sócios.
Curiosamente, quando os custos baixam, tal não tem o correlativo reflexo nos preços...
6/04/2008
ESCRITOS DE ALTER EGO
Goste-se ou não do homem, concorde-se ou não com ele, o «Retrato da Semana» - «Público» de 1 de Junho de 2008, de António Barreto explica. Tudo.
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