Há um lado em mim, amarelo icterícia, que deseja secretamente que Luís Filipe Menezes seja o próximo PM, de preferência acompanhado, pelo Sr. Ribau, o Sr. Marco António, o Sr. Catatau e que essa onda de esperança traga o Elmer Fudd, o Songoku e o impagável Bocas.
Para que isto chegue rapidamente ao fundo, impluda e obrigue os indígenas a reflectir e a pensar.
Depois levanto-me, bebo um café, fumo um cigarro e sorrio. Se formos mesmo ao fundo, pelo menos gargalhada não faltará.
Vejam este exemplo.
10/16/2007
10/12/2007
Era uma vez um rato. Pequenino roedor, com o típico bigode. O rato, talvez por mesquinhez ou talvez por patologia, quis parir uma montanha.
O Sr. Dr. Paulo Rangel bateu palmas.
Resultado: a montanha acabou por parir um rato.
Aguarda-se uma reacção do pressuroso Sr. Rangel.
O Sr. Dr. Paulo Rangel bateu palmas.
Resultado: a montanha acabou por parir um rato.
Aguarda-se uma reacção do pressuroso Sr. Rangel.
TRIBOS
Nesse mundo mais ou menos obscuro do sindicalismo, falta fazer o relato, a crónica dos últimos acontecimentos. Não estou a falar apenas do episódio da Covilhã. Estou a falar da guerilha que nos últimos dois anos decorreu no interior dos sindicatos da CGTP.
A história começa mais ou menos, quando o Bloco de Esquerda, que nem sequer compreende os seus militantes, procurou alargar horizontes. Tapado o caminho à direita, a intelligentzia do Bloco entendeu que o melhor caminho para sedimentar e crescer seria ganhar espaço nos sindicatos.
Ora, se há coisa que o PCP não suporta é o Bloco. Se há outra coisa que o PCP não suporta é que lhe ataquem instituições satélites, como são, com maior ou menor autonomia, os sindicatos da CGTP, mesmo quando aparentemente são dirigidos por não-comunistas. Por várias razões. Desde logo porque o PCP precisa dos sindicatos para colocar o seu pessoal político, à medida que vai perdendo espaço no poder autárquico. Mesmo a mais histérica dedicação precisa de alimento e nem a perícia de Filipa Vacondeus consegue transformar os volumosos escritos de Lenine em algo comestível. Depois porque faz parte da linha de actuação do Partido Comunista, linha essa aliás assumida, utilizar todos os instrumentos que a democracia burguesa dispõe para fazer passar a sua palavra e ganhar espaço mediático. Se até agora o PC sempre permitiu e de certa forma promoveu a participação de não-alinhados nos sindicatos, até para aparentar independência, sempre o fez no pressuposto de continuar a deter o poder de facto.
O Bloco tinha a clara intenção de ganhar poder de facto dentro do movimento sindical, o que se tornou intolerável para o PCP. Se de qualquer forma esta tentativa era inaceitável, sendo neste momento o Partido Comunista dominado por um núcleo duro de sindicalistas e operacionais, a coisa ganhou contornos de afronta.
O PCP reagiu violentamente e procurou escorraçar o Bloco dos sindicatos. Só que como o PCP é neste momento dominado por sargentos, aptos para a reacção instantânea e primária, mas incapazes de um pensamento sistemático, a reacção foi desproporcional, mais arruaceira do que o costume e culminou no maior flop da história da CGTP, que foi a greve geral de Maio deste ano. Francisco Louçã, encurralado nas cordas, riu-se de alívio e contentamento.
Resultado: o PCP conseguiu manter o poder quase hegemónico dentro da central sindical, mas à custa de uma perda de credibilidade, de um maior fechamento na sua própria concha e do desentendimento com Carvalho da Silva, que desde há um tempo tem sempre um watchdog atrás de si.
Mário Nogueira, dirigente da FENPROF é mais uma manifestação de força do PCP, a caminho de lado nenhum, aliás já esperada. Os dois polícias na sede local caíram que nem ginjas na estratégia delineada.
No entanto, a poeira não afasta a pergunta: como é que parte (presume-se significativa) de uma classe que supostamente devia ser fundamental numa sociedade, se sente representada por alguém que repudia e combate os fundamentos dessa mesma sociedade e tem como objectivo programático estabelecer uma sociedade sem classes, cujas tentativas deram em coisas tão magníficas como a USSR, a Coreia do Norte ou a China?
Como é que existe um professor, que necessariamente preza a liberdade individual, que se sinta representado por quem entende que a liberdade individual é uma falácia burguesa?
Não há humilhação, despeito ou desconsideração que o justifique.
PS: para os amiguinhos mais distraídos, lembro que no regime que Mário Nogueira defende, não há horários porreiros e negociáveis com o amigo do conselho executivo, dinheirinho extra na formação profissional para mudar de popó “every three years”, explicações a fugir ao IVA e todas aqueles pequenos pecadilhos que nós conhecemos, não é?
PS2: vejam os links, sobretudo os que estão em "classe" e "professor"
A história começa mais ou menos, quando o Bloco de Esquerda, que nem sequer compreende os seus militantes, procurou alargar horizontes. Tapado o caminho à direita, a intelligentzia do Bloco entendeu que o melhor caminho para sedimentar e crescer seria ganhar espaço nos sindicatos.
Ora, se há coisa que o PCP não suporta é o Bloco. Se há outra coisa que o PCP não suporta é que lhe ataquem instituições satélites, como são, com maior ou menor autonomia, os sindicatos da CGTP, mesmo quando aparentemente são dirigidos por não-comunistas. Por várias razões. Desde logo porque o PCP precisa dos sindicatos para colocar o seu pessoal político, à medida que vai perdendo espaço no poder autárquico. Mesmo a mais histérica dedicação precisa de alimento e nem a perícia de Filipa Vacondeus consegue transformar os volumosos escritos de Lenine em algo comestível. Depois porque faz parte da linha de actuação do Partido Comunista, linha essa aliás assumida, utilizar todos os instrumentos que a democracia burguesa dispõe para fazer passar a sua palavra e ganhar espaço mediático. Se até agora o PC sempre permitiu e de certa forma promoveu a participação de não-alinhados nos sindicatos, até para aparentar independência, sempre o fez no pressuposto de continuar a deter o poder de facto.
O Bloco tinha a clara intenção de ganhar poder de facto dentro do movimento sindical, o que se tornou intolerável para o PCP. Se de qualquer forma esta tentativa era inaceitável, sendo neste momento o Partido Comunista dominado por um núcleo duro de sindicalistas e operacionais, a coisa ganhou contornos de afronta.
O PCP reagiu violentamente e procurou escorraçar o Bloco dos sindicatos. Só que como o PCP é neste momento dominado por sargentos, aptos para a reacção instantânea e primária, mas incapazes de um pensamento sistemático, a reacção foi desproporcional, mais arruaceira do que o costume e culminou no maior flop da história da CGTP, que foi a greve geral de Maio deste ano. Francisco Louçã, encurralado nas cordas, riu-se de alívio e contentamento.
Resultado: o PCP conseguiu manter o poder quase hegemónico dentro da central sindical, mas à custa de uma perda de credibilidade, de um maior fechamento na sua própria concha e do desentendimento com Carvalho da Silva, que desde há um tempo tem sempre um watchdog atrás de si.
Mário Nogueira, dirigente da FENPROF é mais uma manifestação de força do PCP, a caminho de lado nenhum, aliás já esperada. Os dois polícias na sede local caíram que nem ginjas na estratégia delineada.
No entanto, a poeira não afasta a pergunta: como é que parte (presume-se significativa) de uma classe que supostamente devia ser fundamental numa sociedade, se sente representada por alguém que repudia e combate os fundamentos dessa mesma sociedade e tem como objectivo programático estabelecer uma sociedade sem classes, cujas tentativas deram em coisas tão magníficas como a USSR, a Coreia do Norte ou a China?
Como é que existe um professor, que necessariamente preza a liberdade individual, que se sinta representado por quem entende que a liberdade individual é uma falácia burguesa?
Não há humilhação, despeito ou desconsideração que o justifique.
PS: para os amiguinhos mais distraídos, lembro que no regime que Mário Nogueira defende, não há horários porreiros e negociáveis com o amigo do conselho executivo, dinheirinho extra na formação profissional para mudar de popó “every three years”, explicações a fugir ao IVA e todas aqueles pequenos pecadilhos que nós conhecemos, não é?
PS2: vejam os links, sobretudo os que estão em "classe" e "professor"
CACETEIROS
Não vou fazer grandes comentários sobre o que se terá passado na Covilhã. Tenho uma posição clara sobre a relação da democracia com grupos que não respeitando os seus princípios, sobrevivem exactamente por causa dos princípios democráticos. Devem ter o máximo espaço de liberdade por duas razões óbvias. Primeiro pela estrita aplicação do princípio da liberdade individual. Segundo porque não é com repressão que se alteram ideias e convicções, por muito que a maioria discorde delas ou que não tenham qualquer sustentação fáctica.
Perdoem-me a comparação, mas a actuação dos sindicatos é idêntica à daqueles jogadores de futebol caceteiros e manhosos, que passam a vida a fazer pequenas faltas, apreciações sobre a vida sexual das mães dos adversários, que normalmente são tratados com a indulgência que concedemos aos ineptos.
Perdoem-me a comparação, mas a actuação dos sindicatos é idêntica à daqueles jogadores de futebol caceteiros e manhosos, que passam a vida a fazer pequenas faltas, apreciações sobre a vida sexual das mães dos adversários, que normalmente são tratados com a indulgência que concedemos aos ineptos.
Responder com cacetadas aos caceteiros não é solução. Até porque, no fundo, ninguém leva o jogo muito a sério, não se marcam golos e no fim do dia vamos todos para casa ver a Sr.ª Clara de Sousa entrevistar o Dr. Portas ou humilhar barítonos de karalhoke.
It’s all entertainment.
10/08/2007
TRATADO DE CARRAPICHANA
A Europa tornou-se numa ruela cheia de burocratas, que produzem coisas tão importantes e decisivas, verdadeiros monumentos jurídicos, capazes de fazer corar Jean Monnet ou Schuman, como por exemplo, o Regulamento CE n.º 1111/2007, que fixa as restituições à exportação do açúcar branco e do açúcar bruto no estado inalterado. Ou esse compêndio de 200 anos da melhor ciência jurídica europeia que é o Regulamento n.º 1019/2007 que proíbe a pesca da bolota nas águas norueguesas da zona CIEM IV pelos navios que arvoram pavilhão da Alemanha. Isto porque os alemães são, como toda a gente sabe, açambarcadores. Mandam-se ao mar e pescam tudo o que lhes aparece. Bolotas, melancias, nozes, eu sei lá.
Por tudo isto devíamos ponderar se vale a pena associar o nome de Lisboa a um tratado que não vai ficar na história nem servir para nada.
Para lhe dar alguma utilidade e visto que Lisboa não precisa de mais publicidade, proponho que seja assinado na Carrapichana, magnífica freguesia do Concelho de Celorico da Beira, com uma história tão portuguesa. Pelo menos teria a visita de alguns milhares de estudantes europeus de direito. E de alguns eurocratas, encantados com a discrição dos autóctones.
A Carrapichana agradece.
E eu também.
9/28/2007
LOS LOCOS

Foram hoje publicadas em Diário da República, as indemnizações compensatórias a atribuir a empresas que prestam serviço público.
Alguém que não esteja anestesiado pela linguagem do mainstream político, que não encolha os ombros e que não justifique o injustificável com argumentos como "o peso do passado", olha para a indemnização da RTP e pode concluir com toda a legitimidade que somos todos inimputáveis.
Leia-se loucos.
9/27/2007
9/25/2007
POLITIQUINHA
Para ser sério e rigoroso, não basta a proclamação. É preciso agir e manifestar-se de forma séria.
É por isso que este texto, da autoria de Pinho Cardão não serve. Fica pela rama, sem se atrever a explicar os dados.
Se o seu autor quisesse de facto ser sério e rigoroso teria de referir que para além da inépcia dos governantes, da incompetência dos quadros superiores da administração pública e da ineficiência estrutural do Estado, a significativa fatia do orçamento de estado que não serve para nada mais além de sustentar, por acção ou omissão, uma parte importante da classe média, no seu fausto provinciano. E que esse parasitismo não começou hoje, nem sequer ontem.
Não se trata pois de um artigo de política, nem sequer de politiquice.
É mais de politiquinha.
É por isso que este texto, da autoria de Pinho Cardão não serve. Fica pela rama, sem se atrever a explicar os dados.
Se o seu autor quisesse de facto ser sério e rigoroso teria de referir que para além da inépcia dos governantes, da incompetência dos quadros superiores da administração pública e da ineficiência estrutural do Estado, a significativa fatia do orçamento de estado que não serve para nada mais além de sustentar, por acção ou omissão, uma parte importante da classe média, no seu fausto provinciano. E que esse parasitismo não começou hoje, nem sequer ontem.
Não se trata pois de um artigo de política, nem sequer de politiquice.
É mais de politiquinha.
SUICIDE IS PAINLESS
O texto de José Pacheco Pereira escrito no jornal Público de 22 de Setembro é pungente.
O seu autor há muito que procura aquilo que é logica e estruturalmente impossível, que é a sobrevivência do PSD com a dignidade e a credibilidade que Pacheco Pereira exige.
Como estamos a falar de alguém informado e conhecedor dos meandros, daquela substância viscosa conhecida por "As bases", que compõem 90% do corpo partidário, não se pode falar em "eutanásia negligente".
A extracção do bicho implica a morte do hospedeiro. A permanência leva ao definhar lento e patético.
Para quem, como eu, não é do PSD, mas considera que o mesmo representa uma parte importante da sociedade, o processo não é propriamente doloroso. Mas começa a ser incomodativo.
'Suicide is Painless'
Through early morning fog I see
visions of the things to be
the pains that are withheld for me
I realize and I can see...
[REFRAIN]:
that suicide is painless
It brings on many changes
and I can take or leave it if I please.
I try to find a way to make
all our little joys relate
without that ever-present hate
but now I know that it's too late, and...
[REFRAIN]
The game of life is hard to play
I'm gonna lose it anyway
The losing card I'll someday lay
so this is all I have to say.
[REFRAIN]
The only way to win is cheat
And lay it down before I'm beat
and to another give my seat
for that's the only painless feat.
[REFRAIN]
The sword of time will pierce our skins
It doesn't hurt when it begins
But as it works its way on in
The pain grows stronger...watch it grin, but...
[REFRAIN]
A brave man once requested me
to answer questions that are key
is it to be or not to be
and I replied 'oh why ask me?'
[REFRAIN]
'Cause suicide is painless
it brings on many changes
and I can take or leave it if I please.
...and you can do the same thing if you please.
O seu autor há muito que procura aquilo que é logica e estruturalmente impossível, que é a sobrevivência do PSD com a dignidade e a credibilidade que Pacheco Pereira exige.
Como estamos a falar de alguém informado e conhecedor dos meandros, daquela substância viscosa conhecida por "As bases", que compõem 90% do corpo partidário, não se pode falar em "eutanásia negligente".
A extracção do bicho implica a morte do hospedeiro. A permanência leva ao definhar lento e patético.
Para quem, como eu, não é do PSD, mas considera que o mesmo representa uma parte importante da sociedade, o processo não é propriamente doloroso. Mas começa a ser incomodativo.
'Suicide is Painless'
Through early morning fog I see
visions of the things to be
the pains that are withheld for me
I realize and I can see...
[REFRAIN]:
that suicide is painless
It brings on many changes
and I can take or leave it if I please.
I try to find a way to make
all our little joys relate
without that ever-present hate
but now I know that it's too late, and...
[REFRAIN]
The game of life is hard to play
I'm gonna lose it anyway
The losing card I'll someday lay
so this is all I have to say.
[REFRAIN]
The only way to win is cheat
And lay it down before I'm beat
and to another give my seat
for that's the only painless feat.
[REFRAIN]
The sword of time will pierce our skins
It doesn't hurt when it begins
But as it works its way on in
The pain grows stronger...watch it grin, but...
[REFRAIN]
A brave man once requested me
to answer questions that are key
is it to be or not to be
and I replied 'oh why ask me?'
[REFRAIN]
'Cause suicide is painless
it brings on many changes
and I can take or leave it if I please.
...and you can do the same thing if you please.
GENTE CRESCIDA COM A MESADA DO PAPÁ

A Lusoponte, que tem entre os seus accionistas algumas empresas de construção civil, conseguiu um pacto leonino quando construiu a Ponte Vasco da Gama.
Tal deve-se ao facto de o Estado ter uma posição negocial fraca, absolutamente incompatível com os seus “accionistas”, que somos todos nós.
Numa sociedade onde muitos dos accionistas não contribuem com os suprimentos acordados e fogem de todas as obrigações acessórios o resultado é este.
Acresce a isto que a nossa sociedade ainda não percebeu que não pode continuar a ter um objecto tão amplo e tão difuso.
Trocando por miúdos.
O Estado apresenta-se nestas situações numa posição vulnerável porque gere mal as contribuições que alguns de nós fazem o favor de lhe entregar. Financia sobretudo arrivismos sociais de classe média, legítimos aliás, mas injustificáveis.
Ao tentar fazer tudo, nada faz.
Depois, naquilo em que devia ser forte, como neste caso, é uma espécie de insolvente desesperado perante o agiota manhoso.
Do lado de lá está um conjunto de gente grande que nunca deu um passo sem recorrer à mesada do papá.
Era assim quando o papá se chamava Oliveira Salazar e a mesada se apresentava como condicionamento industrial e continua assim, hoje, que o papá responde por outros nomes e usa outras estratégias.
Tal deve-se ao facto de o Estado ter uma posição negocial fraca, absolutamente incompatível com os seus “accionistas”, que somos todos nós.
Numa sociedade onde muitos dos accionistas não contribuem com os suprimentos acordados e fogem de todas as obrigações acessórios o resultado é este.
Acresce a isto que a nossa sociedade ainda não percebeu que não pode continuar a ter um objecto tão amplo e tão difuso.
Trocando por miúdos.
O Estado apresenta-se nestas situações numa posição vulnerável porque gere mal as contribuições que alguns de nós fazem o favor de lhe entregar. Financia sobretudo arrivismos sociais de classe média, legítimos aliás, mas injustificáveis.
Ao tentar fazer tudo, nada faz.
Depois, naquilo em que devia ser forte, como neste caso, é uma espécie de insolvente desesperado perante o agiota manhoso.
Do lado de lá está um conjunto de gente grande que nunca deu um passo sem recorrer à mesada do papá.
Era assim quando o papá se chamava Oliveira Salazar e a mesada se apresentava como condicionamento industrial e continua assim, hoje, que o papá responde por outros nomes e usa outras estratégias.
9/20/2007
MANGAS DE ALPACA
Sobre a "revolta" e a "indignação" dos notários, remeto para aqui, via Causa Nossa.
Estou farto de Chicos Espertos.
Ainda por cima despudorados.
Estou farto de Chicos Espertos.
Ainda por cima despudorados.
9/19/2007
O VASCO
A nossa vida está cheia de Vascos. Provavelmente para compensar o vácuo. Deus, na sua infinita sabedoria (capaz de ganhar aquele concurso televisivo que se chama "A Herança"), brindou-nos com Vascos. Assim, de rajada, lembro-me de vários. O Vasco Granja que me punha a ver aqueles desenhos animados em que um desperdício de oficina auto salvava um bocado de cordel de ser morto por três tampas de sumo assassinas; o companheiro Vasco, protegido por uma muralha de aço (forrada com linóleo e com um "avançado" em plástico por causa da chuva) que tantas coisas boas nos queria deixar; e o Vasco Graça Moura, poeta e glosador-mor da épica obra "Porque somos muito melhores que eles, sendo na essência muito parecidos", que no seu maniqueísmo rasteiro tenta manter de pé a moral das tropas.
Vasco não pára e qual asceta de cordel, não se exime de deificar o mau só para impedir o triunfo do péssimo. Este texto é um belo exemplo. O rigor e a precisão embaraçam as melhores máquinas de tortura que, ao longo da história, fomos conhecendo (algumas demasiado perto).
Agora imaginem que o homem ganha bom senso e volta a utilizar os dons para algo verdadeiramente útil.
Vasco não pára e qual asceta de cordel, não se exime de deificar o mau só para impedir o triunfo do péssimo. Este texto é um belo exemplo. O rigor e a precisão embaraçam as melhores máquinas de tortura que, ao longo da história, fomos conhecendo (algumas demasiado perto).
Agora imaginem que o homem ganha bom senso e volta a utilizar os dons para algo verdadeiramente útil.
CADEIA ALIMENTAR
Uns planam. Bem acima.
Outros planeiam. E vão subindo.
Nós somos planos. Rasos.
Bem juntos ao pó, onde nos divertimos a chafurdar.
No fim, o que de nós fica ligeiramente acima, arrota.
Batemos palmas, porque embora toscos e agrestes, somos educados e reconhecemos a autoridade naquele cujos caninos são mais afiados.
Outros planeiam. E vão subindo.
Nós somos planos. Rasos.
Bem juntos ao pó, onde nos divertimos a chafurdar.
No fim, o que de nós fica ligeiramente acima, arrota.
Batemos palmas, porque embora toscos e agrestes, somos educados e reconhecemos a autoridade naquele cujos caninos são mais afiados.
Um dia, provavelmente quando voltarmos a comprar caramelos em badajoz, sentar-nos-emos a carpir as desilusões, em silenciosos exercícios de imperceptíveis auto-mutilações. Roendo compulsivos as unhas, cravando as unhas nas próprias palmas das mãos, ouvindo dentro das nossas cabeças cansadas, o looping do hit "como é que isto nos aconteceu?".
A História, essa disciplina maravilhosa que quase tudo nos explica, explica certamente esta nossa incapacidade de sermos homens e mulheres graúdos e responsáveis. Explicará certamente que a nossa matriz social se compõe de uma dependência do Estado, para o qual ainda por cima não contribuímos, numa espécie de amor/ódio ao pai porque se deita com a mãe e de uma vontade firme, férrea, obstinada de não aceitar a realidade. Explica que fomos tratados como crianças por um beato cobarde e seus acólitos, durante meio século e que não nos conseguimos libertar desse modus vivendi cujo lema é "os direitos para mim e os deveres para os outros".
Explica que todos os políticos, que supostamente deviam ser um exemplo de cidadania e de racionalidade, insistam em prometer manobrar a economia, como se ela não tivesse "vida" própria e mais do que da vontade de qualquer governo, não dependesse sobretudo dos nossos actos e comportamentos diários.
A História explica, mas não resolve.
E assim, enquanto o Estado continuar a comportar-se como um conde sem condado, a quem, por mera cortesia sabichona, deixam brincar no páteo do castelo ocupado, continuaremos a definhar.
Enquanto nós, como colectivo que se manifesta no estado, não percebermos que antes de tudo, o Estado deve arrumar a sua casa, ser subsidiário sem ser subserviente, sancionar aqueles que não cumprem com as regras, seja o "empresário" manhoso que não paga impostos, seja o tipo que abusa da boa fé alheia no seu comportamento social, caminharemos alegremente para o terceiro mundo, olhando da janela o primeiro mesmo aqui ao lado.
O Estado não deve criar emprego. Deve impedir que se crie mau emprego, sem futuro ou justificação social, punindo o fdp que abre e fecha fábricas de sapatos em barracões de zinco.
O Estado não deve interferir na economia, a não ser para dar um valente murro no alto da pinhoqueira de quem interfere ilegitimamente.
Em suma o Estado deve fiscalizar, deve perceber, de uma forma contínua sem provocar claustrofobia, se as pessoas cumprem as suas responsabilidades sociais.
Deve ser a consciência colectiva de um devir desejado, mesmo que os comportamentos individuais não aparentem tal desejo.
Se assim fosse, se o Estado fosse sobretudo um fiscal do espaço em que a nossa liberdade colide com a dos outros, em vez de ser um pai compulsivo e exacerbado, estaríamos bem melhor.
E daí talvez não.
Temos essa característica extraordinária que é a de nos sentirmos extremamente felizes com a nossa própria infelicidade.
ORANGE FREAK SHOW
Não vi o "debate" entre o Sr. Menezes e o Sr. Mendes.
Nem tenho muito mais a dizer sobre "aquilo", sobre aquele freak show cheio de alimárias em que o PSD se tornou.
Apenas lamento, com o pesar de quem, não sendo do PSD, acha que parte do espaço político que representa merecia melhor.
O PSD que depende mais do que todos os outros partidos de uma permanente ligação ao poder, definha.
Estará entregue, a partir de dia 28 a um boy sem brilho ou a um demagogo populista que consegue ser menos avisado que Alberto João.
Como é que se chega a esta decadência e a este nível de irresponsabilidade são perguntas que mais tarde terão de ser respondidas.
9/10/2007
O MUNDO AO CONTRÁRIO
Estas férias permitiram-me, entre outras coisas, confirmar que muita da polémica sobre o fecho de serviços públicos não passa da velha e carunchosa atitude bairrista tão querida dos portugas.
No fundo não está demonstrado que se justifica que a cidade A necessite de um hospital, quando tem um hospital a 15 minutos. Ou do tribunal, ou de Finanças. Simplesmente ninguém quer perder para o vizinho do lado.
Acrescente-se que a maioria do emprego nestas cidades é público ou depende dos serviços públicos, que a desproporção entre dinheiros públicos e população não se consegue explicar pelos "custos da interioridade" e que não por acaso, muitas destas médias cidades estão entre as de maior qualidade de vida.
Muitas sedes de concelho têm menos população que alguns bairros do subúrbio.
De facto existem portugueses de primeira e de segunda. Só que ao contrário do que se afirma, os de segunda não vivem em Idanha-a-Nova, em Belmonte ou em Penamacor. Vivem na Amadora, em Mem Martins ou no Seixal.
No fundo não está demonstrado que se justifica que a cidade A necessite de um hospital, quando tem um hospital a 15 minutos. Ou do tribunal, ou de Finanças. Simplesmente ninguém quer perder para o vizinho do lado.
Acrescente-se que a maioria do emprego nestas cidades é público ou depende dos serviços públicos, que a desproporção entre dinheiros públicos e população não se consegue explicar pelos "custos da interioridade" e que não por acaso, muitas destas médias cidades estão entre as de maior qualidade de vida.
Muitas sedes de concelho têm menos população que alguns bairros do subúrbio.
De facto existem portugueses de primeira e de segunda. Só que ao contrário do que se afirma, os de segunda não vivem em Idanha-a-Nova, em Belmonte ou em Penamacor. Vivem na Amadora, em Mem Martins ou no Seixal.
ADEUS
Nada como estar de férias, isolado dos media, ligar a televisão e ver Clara de Sousa a "apresentar" um inócuo e enxuto programa de entertenimento intitulado "Família Superstar".
As coisas ficam mais...claras.
Todo o discurso de independência dos jornalistas e restante blábláblá fica a boiar. Mas se puxarmos o autoclismo uma segunda vez, a coisa resolve-se.
Adeus
As coisas ficam mais...claras.
Todo o discurso de independência dos jornalistas e restante blábláblá fica a boiar. Mas se puxarmos o autoclismo uma segunda vez, a coisa resolve-se.
Adeus
JERÓNIMO!
Jerónimo de Sousa, o representante do comunismo de rosto humano, mistura de Fred Astaire e Estaline (o que me faz lembrar Alex de Large na Laranja Mecânica de Kubrick), discursou na Festa do Avante!, pedindo uma Acção Nacional contra as políticas do Governo.
Vislumbra-se uma primavera marcelista ou continuamos na União Nacional?
Vislumbra-se uma primavera marcelista ou continuamos na União Nacional?
8/09/2007
OS MEUS FAVORITOS II (SECÇÃO NORTE)
ORLANDO GASPAR, foi durante anos líder da concelhia do Porto. Houve renovação.
O actual líder é Orlando Soares Gaspar.
O actual líder é Orlando Soares Gaspar.


Que estranho…será coincidência? É. Por mero acaso, o actual líder tem o mesmo nome do líder histórico. Podia chamar-se Firmino, Zé Manel ou Xenofonte (se os senhores do registo deixassem, claro!) Gaspar.
Pormenor adicional e de somenos importância. O actual líder é filho do histórico líder.
MARCO ANTÓNIO COSTA (o artista anteriormente conhecido por Marco António)
Este rapaz é uma espécie de braço direito de Luís Filipe Menezes. Mas nem Menezes é Júlio César, nem Marco António é o seu homónimo romano.

Para abreviar. Pedro Duarte mas “em mais tosco”.
JOÃO TEIXEIRA LOPES
Este senhor é doutorado em sociologia. A sério. Mas não exerce.
O que ele gosta mesmo é de ser trucidado por Rui Rio.

A “coisa” parece um daqueles filmes franceses meio underground, com pinceladas de sado-masoquismo, puro e duro.
Apesar de ser particularmente irritante, desperta-me um profundo sentimento de comiseração.
ILDA FIGUEIREDO
É o Prof. Dr. João Teixeira Lopes, mas em estilo menos totó e em versão vagamente feminina.

A senhora parece que está sempre aflita, que acabou de ver qualquer coisa que a chocou. Uma família disfuncional, um camarada a ler o último livro de Zita Seabra, sei lá…
NUNO MELO
Este rapazola é da safra da Juventude do seu Partido, aliás, como o Pedro e o Marco são do seu.

É um rapaz simpático, educado, com ideias modernas.
Dispensa grandes considerações. A criatura fala por si.
Estou convencido que os seus amigos de café o levam a sério.
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