10/16/2007

O MEU LADO NEGRO, CORRIJO O MEU LADO AMARELO ICTERÍCIA

Há um lado em mim, amarelo icterícia, que deseja secretamente que Luís Filipe Menezes seja o próximo PM, de preferência acompanhado, pelo Sr. Ribau, o Sr. Marco António, o Sr. Catatau e que essa onda de esperança traga o Elmer Fudd, o Songoku e o impagável Bocas.
Para que isto chegue rapidamente ao fundo, impluda e obrigue os indígenas a reflectir e a pensar.



Depois levanto-me, bebo um café, fumo um cigarro e sorrio. Se formos mesmo ao fundo, pelo menos gargalhada não faltará.


Vejam este exemplo.

10/12/2007

Era uma vez um rato. Pequenino roedor, com o típico bigode. O rato, talvez por mesquinhez ou talvez por patologia, quis parir uma montanha.

O Sr. Dr. Paulo Rangel bateu palmas.

Resultado: a montanha acabou por parir um rato.

Aguarda-se uma reacção do pressuroso Sr. Rangel.

ÁRVORE GENEALÓGICA DA POLÍTICA PORTUGUESA

Era uma vez uma Senhora, chamada Prudência que se casou com um Senhor, de nome Rigor.
Depois de uma noite mais inspirada, nasceu a CREDIBILIDADE.
Só que o Sr. Rigor, cansado do espírito de minúcia de sua esposa, da sua necessidade de experimentalismo e do tempo que ela levava a atingir o orgasmo, resolveu deitar-se com uma rapariga que constantemente lhe catrapiscava os olhos, empregada do café onde Rigor passava as tardes, chamada Urgência. Algumas horas depois (isto é uma fábula e por isso as minhas personagens podem ter o tempo de gestação que me apetecer) nasceu a DEMAGOGIA.
Lá se foi o Rigor, que posto na rua
Se fez à estrada
Como não quis Prudência nua
Acabou por ficar com…nada
Moral da história: mais vale uma bem dada com prudência que duas ou três com urgência

TRIBOS

Nesse mundo mais ou menos obscuro do sindicalismo, falta fazer o relato, a crónica dos últimos acontecimentos. Não estou a falar apenas do episódio da Covilhã. Estou a falar da guerilha que nos últimos dois anos decorreu no interior dos sindicatos da CGTP.
A história começa mais ou menos, quando o Bloco de Esquerda, que nem sequer compreende os seus militantes, procurou alargar horizontes. Tapado o caminho à direita, a intelligentzia do Bloco entendeu que o melhor caminho para sedimentar e crescer seria ganhar espaço nos sindicatos.
Ora, se há coisa que o PCP não suporta é o Bloco. Se há outra coisa que o PCP não suporta é que lhe ataquem instituições satélites, como são, com maior ou menor autonomia, os sindicatos da CGTP, mesmo quando aparentemente são dirigidos por não-comunistas. Por várias razões. Desde logo porque o PCP precisa dos sindicatos para colocar o seu pessoal político, à medida que vai perdendo espaço no poder autárquico. Mesmo a mais histérica dedicação precisa de alimento e nem a perícia de Filipa Vacondeus consegue transformar os volumosos escritos de Lenine em algo comestível. Depois porque faz parte da linha de actuação do Partido Comunista, linha essa aliás assumida, utilizar todos os instrumentos que a democracia burguesa dispõe para fazer passar a sua palavra e ganhar espaço mediático. Se até agora o PC sempre permitiu e de certa forma promoveu a participação de não-alinhados nos sindicatos, até para aparentar independência, sempre o fez no pressuposto de continuar a deter o poder de facto.
O Bloco tinha a clara intenção de ganhar poder de facto dentro do movimento sindical, o que se tornou intolerável para o PCP. Se de qualquer forma esta tentativa era inaceitável, sendo neste momento o Partido Comunista dominado por um núcleo duro de sindicalistas e operacionais, a coisa ganhou contornos de afronta.
O PCP reagiu violentamente e procurou escorraçar o Bloco dos sindicatos. Só que como o PCP é neste momento dominado por sargentos, aptos para a reacção instantânea e primária, mas incapazes de um pensamento sistemático, a reacção foi desproporcional, mais arruaceira do que o costume e culminou no maior flop da história da CGTP, que foi a greve geral de Maio deste ano. Francisco Louçã, encurralado nas cordas, riu-se de alívio e contentamento.
Resultado: o PCP conseguiu manter o poder quase hegemónico dentro da central sindical, mas à custa de uma perda de credibilidade, de um maior fechamento na sua própria concha e do desentendimento com Carvalho da Silva, que desde há um tempo tem sempre um watchdog atrás de si.
Mário Nogueira, dirigente da FENPROF é mais uma manifestação de força do PCP, a caminho de lado nenhum, aliás já esperada. Os dois polícias na sede local caíram que nem ginjas na estratégia delineada.
No entanto, a poeira não afasta a pergunta: como é que parte (presume-se significativa) de uma classe que supostamente devia ser fundamental numa sociedade, se sente representada por alguém que repudia e combate os fundamentos dessa mesma sociedade e tem como objectivo programático estabelecer uma sociedade sem classes, cujas tentativas deram em coisas tão magníficas como a USSR, a Coreia do Norte ou a China?
Como é que existe um professor, que necessariamente preza a liberdade individual, que se sinta representado por quem entende que a liberdade individual é uma falácia burguesa?
Não há humilhação, despeito ou desconsideração que o justifique.

PS: para os amiguinhos mais distraídos, lembro que no regime que Mário Nogueira defende, não há horários porreiros e negociáveis com o amigo do conselho executivo, dinheirinho extra na formação profissional para mudar de popó “every three years”, explicações a fugir ao IVA e todas aqueles pequenos pecadilhos que nós conhecemos, não é?

PS2: vejam os links, sobretudo os que estão em "classe" e "professor"

CACETEIROS

Não vou fazer grandes comentários sobre o que se terá passado na Covilhã. Tenho uma posição clara sobre a relação da democracia com grupos que não respeitando os seus princípios, sobrevivem exactamente por causa dos princípios democráticos. Devem ter o máximo espaço de liberdade por duas razões óbvias. Primeiro pela estrita aplicação do princípio da liberdade individual. Segundo porque não é com repressão que se alteram ideias e convicções, por muito que a maioria discorde delas ou que não tenham qualquer sustentação fáctica.
Perdoem-me a comparação, mas a actuação dos sindicatos é idêntica à daqueles jogadores de futebol caceteiros e manhosos, que passam a vida a fazer pequenas faltas, apreciações sobre a vida sexual das mães dos adversários, que normalmente são tratados com a indulgência que concedemos aos ineptos.
Responder com cacetadas aos caceteiros não é solução. Até porque, no fundo, ninguém leva o jogo muito a sério, não se marcam golos e no fim do dia vamos todos para casa ver a Sr.ª Clara de Sousa entrevistar o Dr. Portas ou humilhar barítonos de karalhoke.
It’s all entertainment.

10/08/2007

TRATADO DE CARRAPICHANA

A Europa tornou-se numa ruela cheia de burocratas, que produzem coisas tão importantes e decisivas, verdadeiros monumentos jurídicos, capazes de fazer corar Jean Monnet ou Schuman, como por exemplo, o Regulamento CE n.º 1111/2007, que fixa as restituições à exportação do açúcar branco e do açúcar bruto no estado inalterado. Ou esse compêndio de 200 anos da melhor ciência jurídica europeia que é o Regulamento n.º 1019/2007 que proíbe a pesca da bolota nas águas norueguesas da zona CIEM IV pelos navios que arvoram pavilhão da Alemanha. Isto porque os alemães são, como toda a gente sabe, açambarcadores. Mandam-se ao mar e pescam tudo o que lhes aparece. Bolotas, melancias, nozes, eu sei lá.
Por tudo isto devíamos ponderar se vale a pena associar o nome de Lisboa a um tratado que não vai ficar na história nem servir para nada.
Para lhe dar alguma utilidade e visto que Lisboa não precisa de mais publicidade, proponho que seja assinado na Carrapichana, magnífica freguesia do Concelho de Celorico da Beira, com uma história tão portuguesa. Pelo menos teria a visita de alguns milhares de estudantes europeus de direito. E de alguns eurocratas, encantados com a discrição dos autóctones.
A Carrapichana agradece.
E eu também.

9/28/2007

LOS LOCOS




Alguém que não esteja anestesiado pela linguagem do mainstream político, que não encolha os ombros e que não justifique o injustificável com argumentos como "o peso do passado", olha para a indemnização da RTP e pode concluir com toda a legitimidade que somos todos inimputáveis.


Leia-se loucos.

9/27/2007

Uma perguntinha idiota…

Pedro Santana Lopes fez o que devia ter feito. Parabéns. Ponto final parágrafo.
Mas será que ninguém tinha reparado até hoje no constante atropelo pelas mais elementares regras de convivência e respeito pelas pessoas que, diariamente, os MEDIA FAZEM?

9/25/2007

POLITIQUINHA

Para ser sério e rigoroso, não basta a proclamação. É preciso agir e manifestar-se de forma séria.

É por isso que este texto, da autoria de Pinho Cardão não serve. Fica pela rama, sem se atrever a explicar os dados.

Se o seu autor quisesse de facto ser sério e rigoroso teria de referir que para além da inépcia dos governantes, da incompetência dos quadros superiores da administração pública e da ineficiência estrutural do Estado, a significativa fatia do orçamento de estado que não serve para nada mais além de sustentar, por acção ou omissão, uma parte importante da classe média, no seu fausto provinciano. E que esse parasitismo não começou hoje, nem sequer ontem.

Não se trata pois de um artigo de política, nem sequer de politiquice.

É mais de politiquinha.

SUICIDE IS PAINLESS

O texto de José Pacheco Pereira escrito no jornal Público de 22 de Setembro é pungente.

O seu autor há muito que procura aquilo que é logica e estruturalmente impossível, que é a sobrevivência do PSD com a dignidade e a credibilidade que Pacheco Pereira exige.

Como estamos a falar de alguém informado e conhecedor dos meandros, daquela substância viscosa conhecida por "As bases", que compõem 90% do corpo partidário, não se pode falar em "eutanásia negligente".

A extracção do bicho implica a morte do hospedeiro. A permanência leva ao definhar lento e patético.

Para quem, como eu, não é do PSD, mas considera que o mesmo representa uma parte importante da sociedade, o processo não é propriamente doloroso. Mas começa a ser incomodativo.

'Suicide is Painless'
Through early morning fog I see
visions of the things to be
the pains that are withheld for me
I realize and I can see...
[REFRAIN]:
that suicide is painless
It brings on many changes
and I can take or leave it if I please.
I try to find a way to make
all our little joys relate
without that ever-present hate
but now I know that it's too late, and...
[REFRAIN]
The game of life is hard to play
I'm gonna lose it anyway
The losing card I'll someday lay
so this is all I have to say.
[REFRAIN]
The only way to win is cheat
And lay it down before I'm beat
and to another give my seat
for that's the only painless feat.
[REFRAIN]
The sword of time will pierce our skins
It doesn't hurt when it begins
But as it works its way on in
The pain grows stronger...watch it grin, but...
[REFRAIN]
A brave man once requested me
to answer questions that are key
is it to be or not to be
and I replied 'oh why ask me?'
[REFRAIN]
'Cause suicide is painless
it brings on many changes
and I can take or leave it if I please.
...and you can do the same thing if you please.