A nossa vida está cheia de Vascos. Provavelmente para compensar o vácuo. Deus, na sua infinita sabedoria (capaz de ganhar aquele concurso televisivo que se chama "A Herança"), brindou-nos com Vascos. Assim, de rajada, lembro-me de vários. O Vasco Granja que me punha a ver aqueles desenhos animados em que um desperdício de oficina auto salvava um bocado de cordel de ser morto por três tampas de sumo assassinas; o companheiro Vasco, protegido por uma muralha de aço (forrada com linóleo e com um "avançado" em plástico por causa da chuva) que tantas coisas boas nos queria deixar; e o Vasco Graça Moura, poeta e glosador-mor da épica obra "Porque somos muito melhores que eles, sendo na essência muito parecidos", que no seu maniqueísmo rasteiro tenta manter de pé a moral das tropas.
Vasco não pára e qual asceta de cordel, não se exime de deificar o mau só para impedir o triunfo do péssimo. Este texto é um belo exemplo. O rigor e a precisão embaraçam as melhores máquinas de tortura que, ao longo da história, fomos conhecendo (algumas demasiado perto).
Agora imaginem que o homem ganha bom senso e volta a utilizar os dons para algo verdadeiramente útil.
9/19/2007
CADEIA ALIMENTAR
Uns planam. Bem acima.
Outros planeiam. E vão subindo.
Nós somos planos. Rasos.
Bem juntos ao pó, onde nos divertimos a chafurdar.
No fim, o que de nós fica ligeiramente acima, arrota.
Batemos palmas, porque embora toscos e agrestes, somos educados e reconhecemos a autoridade naquele cujos caninos são mais afiados.
Outros planeiam. E vão subindo.
Nós somos planos. Rasos.
Bem juntos ao pó, onde nos divertimos a chafurdar.
No fim, o que de nós fica ligeiramente acima, arrota.
Batemos palmas, porque embora toscos e agrestes, somos educados e reconhecemos a autoridade naquele cujos caninos são mais afiados.
Um dia, provavelmente quando voltarmos a comprar caramelos em badajoz, sentar-nos-emos a carpir as desilusões, em silenciosos exercícios de imperceptíveis auto-mutilações. Roendo compulsivos as unhas, cravando as unhas nas próprias palmas das mãos, ouvindo dentro das nossas cabeças cansadas, o looping do hit "como é que isto nos aconteceu?".
A História, essa disciplina maravilhosa que quase tudo nos explica, explica certamente esta nossa incapacidade de sermos homens e mulheres graúdos e responsáveis. Explicará certamente que a nossa matriz social se compõe de uma dependência do Estado, para o qual ainda por cima não contribuímos, numa espécie de amor/ódio ao pai porque se deita com a mãe e de uma vontade firme, férrea, obstinada de não aceitar a realidade. Explica que fomos tratados como crianças por um beato cobarde e seus acólitos, durante meio século e que não nos conseguimos libertar desse modus vivendi cujo lema é "os direitos para mim e os deveres para os outros".
Explica que todos os políticos, que supostamente deviam ser um exemplo de cidadania e de racionalidade, insistam em prometer manobrar a economia, como se ela não tivesse "vida" própria e mais do que da vontade de qualquer governo, não dependesse sobretudo dos nossos actos e comportamentos diários.
A História explica, mas não resolve.
E assim, enquanto o Estado continuar a comportar-se como um conde sem condado, a quem, por mera cortesia sabichona, deixam brincar no páteo do castelo ocupado, continuaremos a definhar.
Enquanto nós, como colectivo que se manifesta no estado, não percebermos que antes de tudo, o Estado deve arrumar a sua casa, ser subsidiário sem ser subserviente, sancionar aqueles que não cumprem com as regras, seja o "empresário" manhoso que não paga impostos, seja o tipo que abusa da boa fé alheia no seu comportamento social, caminharemos alegremente para o terceiro mundo, olhando da janela o primeiro mesmo aqui ao lado.
O Estado não deve criar emprego. Deve impedir que se crie mau emprego, sem futuro ou justificação social, punindo o fdp que abre e fecha fábricas de sapatos em barracões de zinco.
O Estado não deve interferir na economia, a não ser para dar um valente murro no alto da pinhoqueira de quem interfere ilegitimamente.
Em suma o Estado deve fiscalizar, deve perceber, de uma forma contínua sem provocar claustrofobia, se as pessoas cumprem as suas responsabilidades sociais.
Deve ser a consciência colectiva de um devir desejado, mesmo que os comportamentos individuais não aparentem tal desejo.
Se assim fosse, se o Estado fosse sobretudo um fiscal do espaço em que a nossa liberdade colide com a dos outros, em vez de ser um pai compulsivo e exacerbado, estaríamos bem melhor.
E daí talvez não.
Temos essa característica extraordinária que é a de nos sentirmos extremamente felizes com a nossa própria infelicidade.
ORANGE FREAK SHOW
Não vi o "debate" entre o Sr. Menezes e o Sr. Mendes.
Nem tenho muito mais a dizer sobre "aquilo", sobre aquele freak show cheio de alimárias em que o PSD se tornou.
Apenas lamento, com o pesar de quem, não sendo do PSD, acha que parte do espaço político que representa merecia melhor.
O PSD que depende mais do que todos os outros partidos de uma permanente ligação ao poder, definha.
Estará entregue, a partir de dia 28 a um boy sem brilho ou a um demagogo populista que consegue ser menos avisado que Alberto João.
Como é que se chega a esta decadência e a este nível de irresponsabilidade são perguntas que mais tarde terão de ser respondidas.
9/10/2007
O MUNDO AO CONTRÁRIO
Estas férias permitiram-me, entre outras coisas, confirmar que muita da polémica sobre o fecho de serviços públicos não passa da velha e carunchosa atitude bairrista tão querida dos portugas.
No fundo não está demonstrado que se justifica que a cidade A necessite de um hospital, quando tem um hospital a 15 minutos. Ou do tribunal, ou de Finanças. Simplesmente ninguém quer perder para o vizinho do lado.
Acrescente-se que a maioria do emprego nestas cidades é público ou depende dos serviços públicos, que a desproporção entre dinheiros públicos e população não se consegue explicar pelos "custos da interioridade" e que não por acaso, muitas destas médias cidades estão entre as de maior qualidade de vida.
Muitas sedes de concelho têm menos população que alguns bairros do subúrbio.
De facto existem portugueses de primeira e de segunda. Só que ao contrário do que se afirma, os de segunda não vivem em Idanha-a-Nova, em Belmonte ou em Penamacor. Vivem na Amadora, em Mem Martins ou no Seixal.
No fundo não está demonstrado que se justifica que a cidade A necessite de um hospital, quando tem um hospital a 15 minutos. Ou do tribunal, ou de Finanças. Simplesmente ninguém quer perder para o vizinho do lado.
Acrescente-se que a maioria do emprego nestas cidades é público ou depende dos serviços públicos, que a desproporção entre dinheiros públicos e população não se consegue explicar pelos "custos da interioridade" e que não por acaso, muitas destas médias cidades estão entre as de maior qualidade de vida.
Muitas sedes de concelho têm menos população que alguns bairros do subúrbio.
De facto existem portugueses de primeira e de segunda. Só que ao contrário do que se afirma, os de segunda não vivem em Idanha-a-Nova, em Belmonte ou em Penamacor. Vivem na Amadora, em Mem Martins ou no Seixal.
ADEUS
Nada como estar de férias, isolado dos media, ligar a televisão e ver Clara de Sousa a "apresentar" um inócuo e enxuto programa de entertenimento intitulado "Família Superstar".
As coisas ficam mais...claras.
Todo o discurso de independência dos jornalistas e restante blábláblá fica a boiar. Mas se puxarmos o autoclismo uma segunda vez, a coisa resolve-se.
Adeus
As coisas ficam mais...claras.
Todo o discurso de independência dos jornalistas e restante blábláblá fica a boiar. Mas se puxarmos o autoclismo uma segunda vez, a coisa resolve-se.
Adeus
JERÓNIMO!
Jerónimo de Sousa, o representante do comunismo de rosto humano, mistura de Fred Astaire e Estaline (o que me faz lembrar Alex de Large na Laranja Mecânica de Kubrick), discursou na Festa do Avante!, pedindo uma Acção Nacional contra as políticas do Governo.
Vislumbra-se uma primavera marcelista ou continuamos na União Nacional?
Vislumbra-se uma primavera marcelista ou continuamos na União Nacional?
8/09/2007
OS MEUS FAVORITOS II (SECÇÃO NORTE)
ORLANDO GASPAR, foi durante anos líder da concelhia do Porto. Houve renovação.
O actual líder é Orlando Soares Gaspar.
O actual líder é Orlando Soares Gaspar.


Que estranho…será coincidência? É. Por mero acaso, o actual líder tem o mesmo nome do líder histórico. Podia chamar-se Firmino, Zé Manel ou Xenofonte (se os senhores do registo deixassem, claro!) Gaspar.
Pormenor adicional e de somenos importância. O actual líder é filho do histórico líder.
MARCO ANTÓNIO COSTA (o artista anteriormente conhecido por Marco António)
Este rapaz é uma espécie de braço direito de Luís Filipe Menezes. Mas nem Menezes é Júlio César, nem Marco António é o seu homónimo romano.

Para abreviar. Pedro Duarte mas “em mais tosco”.
JOÃO TEIXEIRA LOPES
Este senhor é doutorado em sociologia. A sério. Mas não exerce.
O que ele gosta mesmo é de ser trucidado por Rui Rio.

A “coisa” parece um daqueles filmes franceses meio underground, com pinceladas de sado-masoquismo, puro e duro.
Apesar de ser particularmente irritante, desperta-me um profundo sentimento de comiseração.
ILDA FIGUEIREDO
É o Prof. Dr. João Teixeira Lopes, mas em estilo menos totó e em versão vagamente feminina.

A senhora parece que está sempre aflita, que acabou de ver qualquer coisa que a chocou. Uma família disfuncional, um camarada a ler o último livro de Zita Seabra, sei lá…
NUNO MELO
Este rapazola é da safra da Juventude do seu Partido, aliás, como o Pedro e o Marco são do seu.

É um rapaz simpático, educado, com ideias modernas.
Dispensa grandes considerações. A criatura fala por si.
Estou convencido que os seus amigos de café o levam a sério.
8/08/2007
OS MEUS FAVORITOS I

Gosto especialmente deste rapaz. Acumula duas grandes escolas da política: a distrital do Porto e a JSD, sabe falar sobre tudo sem dizer nada, está sempre pronto a defender os que o apoiam lá na sua terrinha, é especialista em Generalidades.
Faz-me lembrar aqueles futebolistas toscos e caceteiros que certos treinadores adoram, que entram na segunda parte, rebentam com o tendão de Aquiles, ou em casos mais urgentes, com a tíbia e o perónio do craque adversário, levam um amarelo e passam o resto do jogo a mandar biqueiradas na bola.
Entre quem entrar para treinador do PSD, de certeza que não vai dispensar tamanho craque.
Se não soasse demasiado abichanado, diria que o rapaz é um mimo.
Faz-me lembrar aqueles futebolistas toscos e caceteiros que certos treinadores adoram, que entram na segunda parte, rebentam com o tendão de Aquiles, ou em casos mais urgentes, com a tíbia e o perónio do craque adversário, levam um amarelo e passam o resto do jogo a mandar biqueiradas na bola.
Entre quem entrar para treinador do PSD, de certeza que não vai dispensar tamanho craque.
Se não soasse demasiado abichanado, diria que o rapaz é um mimo.
O FERNANDO MAMEDE QUE TINHA DE CORRER SOBRE UM PÂNTANO
Nestes dias em que a geração filha do welfare state está comodamente instalada no poder, recordo-me de António Guterres. Recordar-me de António Guterres é mau por duas razões: primeiro porque implicitamente lhe estou a passar uma certidão de óbito político (só se recorda o passado irreproduzível no presente e no futuro); segundo porque Guterres foi a maior oportunidade que tivemos e vamos ter nos próximos anos de poder dizer que à frente do Governo e do Estado temos um político como me habituei apensar os políticos.
Guterres tinha tudo para ser um Primeiro-Ministro ímpar. Tinha a inteligência, a cultura e a mundividência necessárias. Até lhe desculpava aquelas poses beatas.
Foi o último dirigente político de topo verdadeiramente bem preparado.
E no entanto falhou. A meio da corrida, saiu da pista. Regressou aos balneários, tomou um banho e foi para casa, como se não fosse nada com ele.
E se é verdade que a responsabilidade é em grande parte sua, porque lhe faltou, nos momentos decisivos, um par de frutos vermelhos que dão cor às paisagens ribatejanas, não é menos verdade que na necessária concentração para chegar ao fim, Guterres não reparou na lama que lentamente invadia a pista de tartan.
O mais curioso é que muita dessa lama, depressa transformada em pântano, foi lançada pelos seus próprios camaradas com uma mão, enquanto que com a outra davam palmadinhas nas costas de Guterres.
Ora, o homem sendo cristão, não é propriamente Cristo e não pôde, como o verdadeiro, pairar sobre as águas. Mais. Como não tinha nenhum plano tecnológico, nem sequer podia utilizar um hovercraft para passar o pantanal, ou pelo menos um daqueles barquinhos que se utilizam nos everglades norte-americanos.
São exactamente os mesmos sargentos de caserna que passo a passo fazem o mesmo a Sócrates e não há hovercraft que consiga passar tanto lamaçal.
Esperemos que Sócrates, não tendo a espessura política de Guterres, tenha pelo menos maiores frutos daqueles que dão cor ao Ribatejo.
Guterres tinha tudo para ser um Primeiro-Ministro ímpar. Tinha a inteligência, a cultura e a mundividência necessárias. Até lhe desculpava aquelas poses beatas.
Foi o último dirigente político de topo verdadeiramente bem preparado.
E no entanto falhou. A meio da corrida, saiu da pista. Regressou aos balneários, tomou um banho e foi para casa, como se não fosse nada com ele.
E se é verdade que a responsabilidade é em grande parte sua, porque lhe faltou, nos momentos decisivos, um par de frutos vermelhos que dão cor às paisagens ribatejanas, não é menos verdade que na necessária concentração para chegar ao fim, Guterres não reparou na lama que lentamente invadia a pista de tartan.
O mais curioso é que muita dessa lama, depressa transformada em pântano, foi lançada pelos seus próprios camaradas com uma mão, enquanto que com a outra davam palmadinhas nas costas de Guterres.
Ora, o homem sendo cristão, não é propriamente Cristo e não pôde, como o verdadeiro, pairar sobre as águas. Mais. Como não tinha nenhum plano tecnológico, nem sequer podia utilizar um hovercraft para passar o pantanal, ou pelo menos um daqueles barquinhos que se utilizam nos everglades norte-americanos.
São exactamente os mesmos sargentos de caserna que passo a passo fazem o mesmo a Sócrates e não há hovercraft que consiga passar tanto lamaçal.
Esperemos que Sócrates, não tendo a espessura política de Guterres, tenha pelo menos maiores frutos daqueles que dão cor ao Ribatejo.
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