7/25/2007

FONDUE DE QUEIJO

Esta já vem com atraso, mas não posso deixar passar


O Dr. Paulo Portas, naquela sua sôfrega necessidade de mostrar a Luz e o Caminho aos portugueses, tem tido alguns revezes.

Espécie de flautista de Hamelin que incapaz de tocar flauta, usa queijo para conduzir os ratos. Mas (e nestes contos há sempre um mas) como é rapaz de boa criação e de generosa fidalguia, em vez de partir o queijo em pedaços, faz um fondue de queijo.

Paulo pensa não poder praticar política prejudicado por perniciosas peças públicas.

Paulo quer que nos esqueçamos que não sendo o pecador original, foi um torquemadazinho bem arrimado nessa fina guilhotina que se chamou “ O Independente”.


NÓS, CONCHAS MEDÍOCRES E BAÇAS À BEIRA-MAR ESPARRAMADAS




Durante anos e anos, dessa criatura solene e obsoleta, escorreu um líquido viscoso e podre, certamente criado no seu ventre inchado, cada vez mais inchado, que de tudo se alimentou, preferindo sobretudo pacotes discretos em numerário.

Na sua ética de clã, todos se alimentaram. Amanuenses analfabetos e sisudos, que nos miravam com a altivez e o desprezo de quem domina, de quem, sem mérito ou competência, pode subjugar o outro. Licenciados em rame-rame ornamentado com frases bacocas, criaturas negando Copérnico, padrecas de fato cheio de caspa.

Todos fizeram pela vidinha. De forma despudorada, não só nada dando em troca, como pactuando, por acção ou omissão, com todo o tipo de trapaças.

Vem agora o Sr. Barata Lopes, Presidente da Ordem dos Notários, resmungar contra o óbvio, contra o evidente, contra o indispensável.

Diz o Sr. Barata Lopes que os cidadãos perdem garantias. Que se facilita a fraude.

Como é que este senhor tem a distinta lata de abrir a boca, de sequer fazer um esgar?!

Todos nós (sobretudo aqueles que pertencem a grupos protegidos) fizemos pela vidinha. Aldrabámos e surripiámos o próximo desculpando-nos com “O Sistema”, “A Burocracia”, ou “A Lei”.

Mas como na história do outro, há uns que surripiaram mais.

E normalmente são os que, devendo estar calados, mais reclamam.

Continuamos conchas medíocres e baças à beira-mar esparramadas.

7/20/2007

LA PALISSE NA LAPA

José Pacheco Pereira com conhecimento de causa, fez ontem uma afirmação trivial, mas que explica, de forma clara, a crise no PSD: Partidos feitos para o poder, quando não têm poder estão sempre em crise.

O resto são amendoins.

PAULO ADAMS

Talvez as notícias que os inimigos do Paulo colocaram nos jornais o tenham prejudicado, como fazem questão de realçar os seus amigos na comunicação social.

Mas acho que esse efeito é marginal.

Simplesmente as pessoas estão fartas do Paulo. Das constantes versões do Paulo.

Do Paulo bronzeado em Fevereiro, do Paulo lívido post-mortem.

Do Paulo ministro empertigado em frente às tropas, do Paulo desajeitado na faina.

Do Paulo com patilhas e sem patilhas. De gravata e sem ela. Do Paulo predador e do Paulo angelical.

Das mil e uma personagens que o Paulo, na sua fértil imaginação e magníficos genes, cria.

E dos amigos do Paulo. Do Nuno sem a profiláctica vacina anti-rábica.

Do Telmo histérico, da Teresinha cor-de-rosa, secretária de estado das tropas hoje, dos museus amanhã.

As pessoas estão cansadas do Paulo e da sua espécie de família Adams.

Sem o humor da original, claro.

DINOSSAUROS COM PELE DE LYCRA

Segundo a TSF (e sem prejuízo de ter ouvido a notícia ainda meio ensonado), os patrões (classe que equivale, pelo menos formalmente ao conceito de empresário nos países civilizados) querem eliminar da Constituição o preceito que proíbe os despedimentos ideológicos.

Por vezes, sobretudo quando os jantares são bem regados e as meninas (ontem de Espanha, hoje da Letónia) especialmente sugestivas, os patrões revelam a carcaça de dinossauro que têm por baixo da pele de Lycra.

Com aquele indisfarçável ar de chicos-espertos modernaços, afirmam que “É assim que se faz na Europa…”.

Curiosamente a Suécia ou a Dinamarca só servem para direitos. O “modelo” é convenientemente amputado dos deveres. Como por exemplo, não gastar fundos comunitários em piscinas, leões de jardim e outras minudências, ou não descapitalizar a empresa para comprar casinhas discretas mas bem equipadas para as amantes. E já agora pagar impostos.

Pelo menos o PC tem a vantagem de, embora metendo aqui e acolá uma gravata e um fatinho de corte rasca, continuar a ser aquilo que sempre foi, sem qualquer pejo: um partido estalinista puro e duro, amigo desse grande democrata da Coreia do Norte. Pelo menos não disfarçam.

Tanto.

NÃO SERIA MELHOR JUNTAR O ÚTIL AO AGRADÁVEL E MANDÁ-LO PARA A LUA?

Seixal, 19 de Julho de 2007. Manifestantes à porta de um centro de saúde reagindo ao fecho do SAP. Panfletos, cartazes e bandeirinhas. A senhora que tem de fazer uns tratamentos (deve ser vampira e portanto, só pode fazer os tratamentos a partir da meia-noite) e que não pode deslocar-se à Amora (ou lá perto).

Enfim. Entre a confusão habitual e alguma razão porventura. Tudo dentro do normal. Até que surge a frase fatídica e com direitos de autor: a luta continua, ministro para a rua!

Meus amigos do kolkhoze do Seixalizistão…

Temos de mudar a frase. Disfarçar a coisa. Fazer de conta que acreditamos na democracia parlamentar, nessa coisa burguesa.

E no caso concreto, juntar o útil ao agradável.

Em vez de mandarmos o Sr. Correia de Campos para a rua, porque não mandá-lo para a Lua?

Porque se o mandamos simplesmente para a rua, ele pode voltar a entrar. Com a desculpa que se esqueceu do chapéu-de-chuva ou da agenda. Barrica-se na casa-de-banho e ninguém o tira de lá. O que não é bom para ninguém, pois o homem, com aquele vício do despacho que afecta todos os que chegam a titulares de cargos públicos, começa a despachar nos rolos de papel higiénico. E imaginem, camaradas, o constrangimento dos funcionários do ministério, divididos entre a urgência provocada pela garrafa e meia de vinho verde do almoço e a incomodidade de estar de costas para o Sr. Ministro e ainda por cima com as mãos ocupadas…e o homem a despachar: nomeio o sr. Armindo Antunes, licenciado em engenharia botânica, sub-director adjunto da região sul para a contratação de fornecedores de pensos rápidos tipo e27 ISO40031. E a telefonar a um dos seus assessores:

- Oh Albuquerque, mas quem é este Antunes, pá?
- É sobrinho do primo do tio do rapaz que está no bar da estrutura local…
- E percebe alguma coisa de pensos rápidos?
- Absolutamente nada, Sr. Ministro! Assegurei-me pessoalmente que não percebe nada de pensos. Vai ficar-se pelo trivial. Perfumes carotes e almoçaradas com o cartão de crédito, uma cadeira nova para o gabinete. Avisei-o inclusivamente que o carro não podia ultrapassar os 2.000cc! Damage control, Sr. Ministro, damage control!
- Ainda bem. Podia ter calhado um tipo que percebesse efectivamente da matéria, com vontade de mudar as coisas, de as tornar racionais e lá tínhamos a estrutura local aos pulos…
- Nada disso, Sr. Ministro! Estamos a falar de um funcionário com uma carreira sólida e exemplar! Já passou pela Segurança Social, pelo Instituto de Emprego, pela Educação, sempre com resultados adequados.
- É por isso que eu gosto de si, Albuquerque! Rápido e eficiente! Como os pensos, veja lá a coincidência.

Camaradas. Temos pois de evitar este tipo de situações. Despachar na casa-de-banho não é adequado, mesmo quando estamos a falar de um membro do governo socialista de direita. Porque o homem acaba por ficar no papel de vítima.

Em vez de gritarmos o slogan habitual, vamos passar a gritar: A LUTA CONTINUA, MINISTRO PARA A LUA.

É que o Socras, com aquela mania das novas tecnologias, acaba por aderir à ideia e o ministro vai ser o primeiro português a lá chegar.

Bem pode o governo mandar foguetes e fazer a festa que já ninguém tira o título de primeiro a chegar ao espaço à nossa camarada Laika.

7/19/2007

MANGAS DE ALPACA


Até podia ser uma forma mais ou menos encapotada de dificultar a coisa. Mas nem isso chega a ser. Fica-se pelo ridículo, pelo mundo decretado por quem não o vive.

O panfleto anexo é a demonstração cabal do espírito de mangas de alpaca, dos adoradores de fotocópias e formulários encartados.

Aliás, toda esta tramitação (palavra linda, não é?!) só fomenta o envelope branco ligeiramente obeso que passa de uma mão para outra num café próximo.

Tudo por causa de um documento amarelo desmaio (enquanto não entra em circulação o novo cu.

Diria mesmo que não há cu que os aguente.

7/17/2007

Quando percebi que Durão Barroso ia chegar a Primeiro-Ministro, inscrevi-me no PS.

Agora que se perfila Luís Filipe Menezes como candidato a líder do PSD e mesmo que hipoteticamente, candidato a Primeiro-Ministro e não podendo emigrar, vou comprar isto

INDEPENDÊNCIA

Helena Roseta foi ontem à Sicnotícias representar a rábula da independência e dos “cidadãos”.

Entende que a vida política não se esgota nos partidos e que as pessoas estão fartas do seu modus vivendi.

Reuniu então um grupo de amigos e concorreu à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

Quem quiser ser objectivo não pode deixar de considerar estas declarações como um péssimo exemplo de democracia e não o contrário, como a arq.ª gosta de afirmar.

Helena Roseta ofereceu-se como candidata pelo Partido Socialista. Estava disponível para ser apoiada pelo aparelho do PS. E logo pelo aparelho da distrital de Lisboa, um dos mais vorazes, caciquistas e predadores (só comparável com o inenarrável PS Porto). Estava disponível para as bandeirinhas empunhadas por reformados das Beiras ou do Minho, para os “debates” cirurgicamente preparados para os media, para oferecer canetas e t-shirts. Desde que a sua cara estivesse nas t-shirts e o seu nome nas canetas.

Só concorreu como independente por causa do indeferimento tácito com que Sócrates a brindou.

Depois, reuniu um “grupo de amigos” e concorreu à maior Câmara do País. Por muito competentes que sejam os amigos da Helena (e alguns deles certamente serão), não se reúne um grupo de pessoas em meia dúzia de semanas, amanha-se um programa, concorre-se à Câmara e depois logo se vê…

A malta, os cidadãos, estão fartos de gente impreparada e incompetente, por melhores que sejam as suas intenções. Gente que está sentada nos cafés e de repente se acha capaz de mudar o mundo. Mesmo que o café seja a “Ler Devagar” ou o self-service do CCB.

A Helena pode ter óptimas ideias para além do discurso esquerdóide do pós-25 de Abril.

Podia até ser melhor candidata que António Costa.

Mas ainda não percebeu que a sua candidatura e a sua existência política padecem dos mesmos males que os partidos.

E um dia perceberá que contribui para o descrédito da vida política tanto ou mais que os partidos políticos.

A Helena Roseta nasceu e cresceu politicamente dentro dos partidos. Nunca foi independente. A única razão que a levou a sair foi o despeito.

A curto prazo, as pessoas aderem ao despeito, porque de alguma forma se sentem despeitadas pelo PS.

A longo prazo, esquecem o despeito, e os heróis do despeito tornam-se oportunistas.

Seria trágico que Helena Roseta acabasse rotulada como alguém oportunista e egocêntrico.

Todas as tragédias são pungentes, mesmo quando circunscritas, patéticas e auto-induzidas.


7/16/2007

THE ONE AND ONLY WINNER


Neste afã de contagem de baixas e tiros em porta-aviões, não se repara no único e verdadeiro vencedor das eleições: Gonçalo da Câmara Pereira.

Reparem que o rapaz mal consegue articular uma frase em português minimamente inteligível. Não tem um programa. O Partido que o sustenta tem como presidente um irmão e membros da família espalhados pelos corpos sociais.

É verdade que está longe do estilo e da imaginação dos candidatos à presidência da república brasileira, como Enéas Carneiro, mas a verdade é que nem Herman José, nos seus bons velhos tempos, criaria uma personagem tão bem esgalhada.

Mesmo assim obteve 745 votos.

Mesmo que alguns eleitores tivessem votado nele por confusão com a sigla PPM, pensando que significava Partido do Primeiro-Ministro, ou Partido para Pontapear Mendes, ou ainda Partido do Pedro Mantorras, isso não explica tudo.

700 eleitores votaram no Gonçalo. Isto é uma vitória retumbante para quem não tem máquina absolutamente nenhuma. Tivesse a máquina da Arq.ª Roseta ou do Eng.º Carmona e milhares, quiçá, dezenas de milhar de lisboetas teriam elegido o fadista.