7/19/2007

MANGAS DE ALPACA


Até podia ser uma forma mais ou menos encapotada de dificultar a coisa. Mas nem isso chega a ser. Fica-se pelo ridículo, pelo mundo decretado por quem não o vive.

O panfleto anexo é a demonstração cabal do espírito de mangas de alpaca, dos adoradores de fotocópias e formulários encartados.

Aliás, toda esta tramitação (palavra linda, não é?!) só fomenta o envelope branco ligeiramente obeso que passa de uma mão para outra num café próximo.

Tudo por causa de um documento amarelo desmaio (enquanto não entra em circulação o novo cu.

Diria mesmo que não há cu que os aguente.

7/17/2007

Quando percebi que Durão Barroso ia chegar a Primeiro-Ministro, inscrevi-me no PS.

Agora que se perfila Luís Filipe Menezes como candidato a líder do PSD e mesmo que hipoteticamente, candidato a Primeiro-Ministro e não podendo emigrar, vou comprar isto

INDEPENDÊNCIA

Helena Roseta foi ontem à Sicnotícias representar a rábula da independência e dos “cidadãos”.

Entende que a vida política não se esgota nos partidos e que as pessoas estão fartas do seu modus vivendi.

Reuniu então um grupo de amigos e concorreu à Presidência da Câmara Municipal de Lisboa.

Quem quiser ser objectivo não pode deixar de considerar estas declarações como um péssimo exemplo de democracia e não o contrário, como a arq.ª gosta de afirmar.

Helena Roseta ofereceu-se como candidata pelo Partido Socialista. Estava disponível para ser apoiada pelo aparelho do PS. E logo pelo aparelho da distrital de Lisboa, um dos mais vorazes, caciquistas e predadores (só comparável com o inenarrável PS Porto). Estava disponível para as bandeirinhas empunhadas por reformados das Beiras ou do Minho, para os “debates” cirurgicamente preparados para os media, para oferecer canetas e t-shirts. Desde que a sua cara estivesse nas t-shirts e o seu nome nas canetas.

Só concorreu como independente por causa do indeferimento tácito com que Sócrates a brindou.

Depois, reuniu um “grupo de amigos” e concorreu à maior Câmara do País. Por muito competentes que sejam os amigos da Helena (e alguns deles certamente serão), não se reúne um grupo de pessoas em meia dúzia de semanas, amanha-se um programa, concorre-se à Câmara e depois logo se vê…

A malta, os cidadãos, estão fartos de gente impreparada e incompetente, por melhores que sejam as suas intenções. Gente que está sentada nos cafés e de repente se acha capaz de mudar o mundo. Mesmo que o café seja a “Ler Devagar” ou o self-service do CCB.

A Helena pode ter óptimas ideias para além do discurso esquerdóide do pós-25 de Abril.

Podia até ser melhor candidata que António Costa.

Mas ainda não percebeu que a sua candidatura e a sua existência política padecem dos mesmos males que os partidos.

E um dia perceberá que contribui para o descrédito da vida política tanto ou mais que os partidos políticos.

A Helena Roseta nasceu e cresceu politicamente dentro dos partidos. Nunca foi independente. A única razão que a levou a sair foi o despeito.

A curto prazo, as pessoas aderem ao despeito, porque de alguma forma se sentem despeitadas pelo PS.

A longo prazo, esquecem o despeito, e os heróis do despeito tornam-se oportunistas.

Seria trágico que Helena Roseta acabasse rotulada como alguém oportunista e egocêntrico.

Todas as tragédias são pungentes, mesmo quando circunscritas, patéticas e auto-induzidas.


7/16/2007

THE ONE AND ONLY WINNER


Neste afã de contagem de baixas e tiros em porta-aviões, não se repara no único e verdadeiro vencedor das eleições: Gonçalo da Câmara Pereira.

Reparem que o rapaz mal consegue articular uma frase em português minimamente inteligível. Não tem um programa. O Partido que o sustenta tem como presidente um irmão e membros da família espalhados pelos corpos sociais.

É verdade que está longe do estilo e da imaginação dos candidatos à presidência da república brasileira, como Enéas Carneiro, mas a verdade é que nem Herman José, nos seus bons velhos tempos, criaria uma personagem tão bem esgalhada.

Mesmo assim obteve 745 votos.

Mesmo que alguns eleitores tivessem votado nele por confusão com a sigla PPM, pensando que significava Partido do Primeiro-Ministro, ou Partido para Pontapear Mendes, ou ainda Partido do Pedro Mantorras, isso não explica tudo.

700 eleitores votaram no Gonçalo. Isto é uma vitória retumbante para quem não tem máquina absolutamente nenhuma. Tivesse a máquina da Arq.ª Roseta ou do Eng.º Carmona e milhares, quiçá, dezenas de milhar de lisboetas teriam elegido o fadista.
Como o sporting não contratou ninguém; no Iraque o número de mortos não ultrapassou o padrão corriqueiro; correia de campos e mário lino estão de férias; manuel pinho idem; vou ter de falar de umas eleições no concelho de lisboa



Rápidas e curtas:

telmo correia não conseguiria ser eleito para administrador do condomínio, quanto mais para vereador;

o zé faz falta, mas cada vez menos;

o velho cruzador vermelho tremeu, tremeu, mas lá se aguentou;

roseta. está tudo bem, desde que tenha um mic(rofone).

mancha negra. o homem continua com os tiques do tempo em que trabalhava com um martelinho na mão.

ter ar de totó compensa. Fazer de conta que não se passa nada, também. à atenção dos candidatos a político local.

ganhar o totoloto com apostas em quase todos os números. Ainda por cima com um prémio pífio.


o gonçalo fadista teve mais que um voto! sem dúvida que ganhou.

Agora a sério.

Costa ganhou naturalmente, sem grande brilho ou fulgor. Foi esperto, manteve-se calado e sossegado. Telmo Correia não consegue ganhar nada e os seus apelos desesperados aos velhinhos foram patéticos. O Zé começa a ser entediante e este foi mais um aviso para o Bloco. Ruben não quis ou não pôde perceber que atacar o Governo era um mau caminho. À tangente. Negrão foi altivo, petulante, impreparado. Uma nódoa. Negra. Na testa de Mendes que se pôs a jeito. Prepara-se o carreirismo. “Isto” foi só o arranque. Roseta acabou num flop, encostada a Ruben. Com sequências brilhantes como esta: Salas de Chuto? Claro que sim! A ideia de salas móveis é errada. As pessoas têm de se habituar a conviver com os problemas. Mas primeiro é preciso dialogar, falar com as pessoas. Vá a senhora vereadora dialogar com as “pessoas” e propor uma salinha de chuto lá no bairro e aguarde, sentadinha pela resposta. Em materiais de construção. Pontiagudos. Carmona ainda conseguiu os votos que se sabe porque fez o papel de vítima e o portuga adora vítimas, sobretudo quando são vítimas da “porca da política”.

Nenhum dos candidatos soube ou quis marcar a diferença, ser ambicioso sem ser irrealista.

A resposta foi clara.

7/13/2007

LISBOA VISTA DO SUBÚRBIO

Para quem, como eu, mora no subúrbio, a recente campanha eleitoral para a Câmara Municipal de Lisboa foi um puro acto de esquizofrenia.

Os candidatos à Câmara continuam a falar (e presume-se a pensar) como se Lisboa fosse uma ilha isolada no meio do oceano e não apenas um entre 18 concelhos, de uma área onde vivem mais de 2,5 milhões de pessoas.

Apontar “soluções” para o problema do trânsito, do ambiente ou da rede de transportes públicos é pois um exercício inútil, enquanto não se criar uma estrutura de poder político legitimado pelo voto que englobe a AML.

Julgo que o problema é tão grave que nem sequer permite teorizações sobre os benefícios e malefícios da regionalização.

Aliás, por mim podem chamar-lhe regionalização parcial, favas com chouriço ou kleenex.

Desde que criem de vez a porra da estrutura metropolitana.

7/11/2007

Silly Season

Há um blog que eu não deixo de ler (quase) todos os dias e que aconselho:

http://portugaldospequeninos.blogspot.com/

O autor é uma mistura de João Coito e de sucedâneo de VPV. A não perder. Do melhor humor que se faz em Portugal.

7/10/2007

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS


Depois de Mário Lino ter anunciado que a margem sul era um deserto, eis que, após o debate de ontem com os candidatos a Lisboa, o deserto instalou-se definitivamente na margem norte do Tejo.

O completo deserto de ideias. Entre o salvem os velhinhos do sr. telmo e o tom de conversa de tasca do compincha Gonçalo, nada de novo, de verdadeiramente importante, foi dito.

Com uma excepção. Garcia Pereira. Foi o único que demonstrou ter ideias claras e precisas sobre o que quer, o único com uma ideia estratégica para a cidade e para a região.

Estivéssemos num país verdadeiramente civilizado e ultrapassasse Garcia Pereira a cassete marxista-leninista e as coisas seriam bem diferentes.

7/09/2007



É impressão minha ou isto:








está cada vez mais parecido com isto

7/06/2007

Cucurbita Máxima









Tenho isto plantado no Quintal, no meio disto.







Espantosamente fala.

Todas as manhãs me cumprimenta e me pede que a arranque e mande para a Austrália. Está convencida que é Primeiro-Ministro daquele País. E eu a pensar, na minha ignorância de urbano, que a bizarria estava restrita ao reino animal.

Ele há cada planta mais estranha!

Nós já tivemos até uma Beringela nomeada para chefe do governo, se bem me lembro…

Será que a culpa é das culturas transgénicas?

Ajude-me, Eng.º Sousa Veloso

ORGASMO EUROPEU

Anuncia o Correio da Manhã que dois eurocratas protestaram contra o carácter pornográfico de um filme promocional da Comissão Europeia.

Primeiro, é espantoso como é que alguém pode considerar pornográfico um filme patrocinado por uma instituição liderada pelo asséptico José Manuel Barroso;

Segundo, se isto http://www.youtube.com/watch?v=SpXVOE1n-MY é pornográfico, a Jessica Rabbit faz filmes Hard Core que envergonham a Cicciolina;

Terceiro, pela duração da coisa (44 segs.) pode ficar no ar a ideia de que os europeus são, em geral, ejaculadores precoces. Ora, eu autorizo os eurocratas a legislarem ferozmente sobre o tamanho admissível de couves e rábanos, mas no que toca ao sexo sou um ferrenho adepto da subsidiariedade.

7/03/2007

CÍRCULOS UNI QUÊ? NOMINAIS? E ALKA SELTZER OU UM CAFÉ PARA RECUPERAR A SOBRIEDADE, NÃO VAI? (ESBOÇO I)

Um dos maiores logros que se tem tentando introduzir no debate político é a criação de círculos uninominais.

Normalmente tenho bastantes dúvidas e engano-me com frequência.

Sobre esta questão não tenho qualquer dúvida e estou convencido que não me engano.

O principal fundamento de quem defende os círculos uninominais é o da necessidade de aproximar eleitores e eleitos. Responsabilizando os deputados perante quem os elege.

Eu não me sinto melhor representado por alguém só porque esse alguém mora na minha rua, na minha cidade ou no meu concelho.

Os círculos uninominais, na sua fórmula pura, conduzem a uma completa distorção da realidade. Como em cada círculo só é eleito o candidato mais votado, pode ter sido eleito por menos de um terço dos eleitores, mas representa todos eles.

Nós temos um sistema político desequilibrado e autista, em que se passa de uma realidade municipal para uma realidade nacional, sem uma estrutura intermédia que de forma evidente, é necessária.

Está incutida na sociedade portuguesa a ideia que o parlamento é uma Corte, constituída por representadas das diversas zonas do País, ao estilo da Idade Média. Mas não é. É um Parlamento nacional, em que os titulares devem desempenhar o seu cargo pensando numa perspectiva nacional, mesmo quando votam uma Lei que tenham uma incidência geográfica mais restrita.

O que eu quero é um deputado que pense o País como um todo e não um cacique, porque é o caciquismo que se vai promover se os círculos uninominais avançarem. Como foi eleito pelo seu círculo, o deputado em causa sentir-se-á compelido a defender apenas e só os interesses daqueles que o elegeram, sem ter uma perspectiva global do País. Teremos uma Assembleia constituída por 230 representantes dos seus próprios interesses, aumentando a já longa rede clientelar que caracteriza o exercício do poder político.

Preconizo um sistema completamente diferente. Entendo que a melhor solução é um círculo nacional único. Com a possibilidade de os eleitores escolherem os deputados que querem ver na Assembleia. Eu voto no partido A, mas escolho o deputado B, a deputada C, o deputado D, etc..

Assim, posso exigir aos deputados que elegi o cumprimento dos seus projectos, posso acompanhar aquilo que fazem porque sei exactamente quem elegi.

Sem a batota dos círculos uninominais.

Como também entendo que certas questões têm um carácter regional e não meramente local, parece-me obvio que devem ser criadas regiões, com órgãos eleitos.

Afirmar que uma eleição onde o eleitor tem que escolher, para além do partido, os deputados é um argumento de cariz processual que pela sua própria natureza cede perante a substância do problema.

(este texto é um esboço, muito mal estruturado e pouco congruente. Voltarei ao assunto)

6/29/2007

ENTRETIDOS COM A BANDA DESENHADA DO HOMEM-ARANHA, NINGUÉM LÊ RUSSELL?

O mais espantoso do caso do dia “Centro de Saúde” é que ninguém faz a pergunta que realmente importa: Mas porque raio é que um director de centro de saúde é escolhido pela sua filiação/simpatia partidária? Seja PC, PS, PSD ou CDS e futuramente BE.

A DIRECTORA, O MARIDO, O MÉDICO E O VEREADOR

a directora do centro de saúde de vieira do Minho, casada com o vice-presidente da câmara lá do sítio, foi exonerada por não ter impedido que um médico desse centro de saúde, também vereador na mesma câmara, colocasse um qualquer cartaz alusivo ao ministro da saúde. foi substituída por um senhor, também vereador numa das câmaras da região.

(esta estória não merece maiúsculas)

É o Portugal dos Pequeninos, dos aparelhos partidários locais a funcionar num estado de despeito autocrático, o outro lado do espelho do Estado de Direito Democrático oficial.


Que La Féria aproveite a história e faça uma boa ópera bufa.

6/28/2007

DEPOIS DO PÂNTANO, FINALMENTE A PLANÍCIE

Francisco Louçã apareceu na política portuguesa há muitos anos, quando grande parte dos seus apoiantes de hoje ainda viam a Pipi das Meias Altas. Louçã tem a tarimba das intermináveis discussões feitas de estocadas de florete entremeadas com golpes de martelo-pilão, que caracterizou durante anos um habitat muito particular da política portuguesa – a esquerda dita revolucionária. Hoje, com um mimetismo curioso (ou talvez não, dado que muitos dos protagonistas são os mesmos) a sua função é ocupada por uma “fauna” que embevece qualquer David Attenborough da política – os liberais (seja lá o que isso for).

No final dos anos 90, Louçã conseguiu finalmente tornar os jovens lobos numa coisa séria q.b. – O Bloco de Esquerda.

Sobretudo porque Louçã, goste-se ou não das suas posições, está muito acima da mediania que caracteriza o resto do grupo, percebeu por que caminho tinha espaço para avançar, o Bloco cresceu.

E quando parecia que o caminho iria ser feito com relativa calma, as coisas complicaram-se.

Primeiro com o mau desempenho nas autárquicas de 2005. Depois com os péssimos resultados nas Presidenciais. A confusão estava instalada e o rumo escolhido parecia ser quase suicidário. Louçã (ou o Bloco) resolveu virar-se para os sindicatos que desde sempre tinham sido dominados pelo PC. O PC, que em qualquer circunstância ficaria com um sentimento de despeito, pior ficou, dado que o comité central é hoje constituído por muitos sindicalistas (a começar em Jerónimo). Para mais quando Carvalho da Silva está longe de ter a confiança do comité (basta ver José Ernesto Cartaxo no papel de sombra). O PC reagiu violentamente.

Dir-se-ia que com violência a mais, o que não admira, dada a miopia da actual direcção. Procurou escorraçar o Bloco da GCTP e satélites adjacentes.

E, na ânsia de marcar posição marcou (entre outras razões) a Greve Geral. Francisco Louçã, com lodo até ao pescoço, sorriu.

A greve geral foi o maior insucesso de Jerónimo de Sousa e um ramo que permitiu ao Bloco e sobretudo a Louça sair do pântano. Dias depois, Louçã, sentenciava, ufano que os sindicatos não eram propriedade de nenhum partido (estou a citar de côr).

Louçã, depois de quase dois anos de chafurdice no pântano, estava agora de regresso à planície. Tudo graças ao PCP.

A política é mesmo irónica, não é?




De regresso...

Após o habitual período de recolhimento, estou de volta...

6/01/2007

ALPINISMO

Eis que chega a época de Alpinismo...

Até Julho.

5/31/2007

PATERNALISMOS ANACRÓNICOS

Daniel Oliveira é um bloquista e um bloguista sobejamente conhecido.

De vez em quando passo pelo seu blogue (naqueles dias do mês em que a paciência não está a zero) onde, na última passagem encontrei esta pérola
“Sete Razões para fazer greve – É evidente que se o nosso Estado é irracional no uso dos seus recursos financeiros, também o é no uso dos seus recursos humanos. Há situação disparatadas em quase todos os serviços públicos. Mas devemos ser claros: num país em que se recebe mal, o “emprego para a vida” foi a forma do Estado compensar a fragilidade do tecido económico do país.”

Ou seja, o Daniel Oliveira acha que a solução para um país onde se recebe mal é criar emprego público para a vida, seja ou não necessário, socialmente justo e economicamente sustentável. Já para não falar do facto de, não sendo possível assegurar emprego público a toda a gente, quem não têm essa benesse está a ser comparativamente lesado.

Acresce que como o Daniel Oliveira bem sabe, a esmagadora maioria das pessoas que acederam à Função Pública não são propriamente pobres ou de classes sociais desfavorecidas, mas da classe média.

Eu pensei que a solução para compensar a fragilidade do tecido económico passava por coisas como a criação de infra-estruturas viárias, a fiscalização da concorrência desleal e de outros comportamentos análogos ou a formação profissional.

Estou obviamente enganado.

Acrescento apenas que esta visão das coisas tem suficientes pontos de contacto com a forma de ver as coisas do Dr. Oliveira Salazar, que gostava de proteger os seus conterrâneos de quase tudo, sobretudo da sociedade livre e aberta que mesmo com entorses, se ia construindo na Europa, o que devia levar Daniel Oliveira e os seus correligionários a uma reflexão séria.

E de preferência sem espasmos ou despeito.

5/30/2007


Chico amigo!

O que se passa contigo?

Andas ausente, rapaz
Sem essa verve loquaz
E o espírito arguto
Que de ti fazia
O mais velho puto
Na nossa freguesia

Bateste à porta
Do sindicato
Veio resposta torta
E algum desacato

Aprendiz de feiticeiro
Deve ter prudência
Que do lado esquerdo mais rasteiro
Não quer o PC co-gerência

Isso de engatar suburbanos
Está cada vez mais difícil…
Longe vão os anos
Em que de cada lado havia o míssil

Se de facto queres ser moderno
Faz-me Chico um grande favor
Deixa de usar esse bolorento caderno
Que de velho com cara de novo tenho pavor.


Deste teu amigo que escuta as tuas encíclicas com um sorriso nos lábios

A AGITAÇÃO SOCIAL E A SUA CONFUSÃO COM UMA ESPÉCIE DE DELIRIUM TREMENS

No fim do ano passado, os comentadores habituais vaticinaram um 2007 de muita agitação social. Chegados quase a meio de 2007, a agitação social resume-se a uma greve dita geral. Depressa entraremos na época de Verão (a silly season já começou, acompanhando as alterações climáticas) e restam 3 meses (que por força do Natal se resumem a 2) para o fim do ano.

Para agitação social convenhamos que é muito pouco. Se quisermos ser objectivos, aquilo que agitou a sociedade, que a fez debater, apresentar soluções alternativas para um problema não foi certamente o objecto desta greve (as políticas do Governo), mas coisas bem mais triviais, como a continuação do treinador do Benfica ou o desaparecimento de uma menor numa estância de férias (que sendo pungente do ponto de vista humano, está longe de afectar a vida de milhões de pessoas).

Isto não é necessariamente bom, mesmo para quem, como eu, entende que de uma forma geral as mudanças que o Governo tenta introduzir são necessárias, razoavelmente adequadas e relativamente proporcionais.

Só que carecem de escrutínio, de debate, de sindicância até. E isso não é feito. Nem será nunca feito enquanto se mantiverem à frente dos sindicatos as pessoas que lá estão, com as ideias que sustentam.

Um cidadão com um mínimo de bom senso que queira ser informado, está, em bom português, lixado. De um lado tem sindicatos que pura e simplesmente não aceitam o sistema, que ao contrário do que tentam passar, não se integram no movimento sindical europeu. Do outro a oposição (não esta oposição em concreto, mas todas as oposições) que de forma demagógica defende hoje o que ontem criticou violentamente e vice-versa.

Veja-se o caso exemplar de Carvalho da Silva, líder da CGTP há 21 anos. Exactamente. 21 anos. Toda a gente fala dos dinossauros autárquicos, do reinado do Dr. Jardim, do Sr. Pinto da Costa, mas ninguém questiona se é ou não um sintoma de vitalidade que há mais de duas décadas Carvalho da Silva se mantenha na liderança. Carvalho da Silva é particularmente esperto, tem a tarimba do combate corpo a corpo, feito de golpes baixos e primários. De uma forma hábil induz regras gerais de casos particulares. É um centralista democrático que defende a democracia de tipo burguês para os outros.

Do outro lado da barricada, o Governo (e todos os governos) não reconhecendo implicitamente a legitimidade substancial destes sindicatos, mas sendo obrigado formalmente a ouvi-los, trata-os com sobranceria na exacta medida da sua legitimidade eleitoral. Simplificando: os governos sabem que muito mais que os partidos, os sindicatos perderam representatividade aos longo dos anos, sabem que se entrincheiraram na função pública, numa atitude cobarde e fácil e que os seus membros são tão carreiristas como os boys dos partidos, mas comem da mesma malga e que o seu discurso radical e anti-sistema acaba por ser uma carta branca para que cada governo actue sem um verdadeiro escrutínio.

Assim, repito, o cidadão com um mínimo de bom senso está lixado.

Veja-se o exemplo da função pública. O governo quer abrir a redoma e pergunta aos sindicatos sobre a melhor forma de o fazer. A resposta dos sindicatos é esclarecedora: não querem simplesmente abrir a redoma. Não põem sequer a hipótese de abrir a redoma.

Como é que se pode negociar com alguém que pura e simplesmente não quer negociar?

Resultado: o governo faz o que bem entende e em resposta (nem sempre racional) abre a redoma sem aviso.

Aliás, Carvalho da Silva reconhece a esquizofrenia da sua (?) posição quando afirma que a greve não é contra o governo, mas “contra as políticas do governo”.

Eu gostaria de ter um sindicato que verdadeiramente sindicasse o governo, que apresentasse alternativas sérias, viáveis e fundamentadas. Que no fundo, desse algum trabalho e obrigasse o governo a ser mais rigoroso.

Com estes homens e mulheres e com as suas ideias, tal não vai ser possível. Com gente como Mário Nogueira (como é que é possível que os professores se vejam representados naquela personagem anacrónica?!!!), ou Ana Avoila não me parece.

A tão falada agitação social afinal é apenas o delirium tremens
http://pt.wikipedia.org/wiki/Delirium_tremens de uma minoria há muito doente, que não deu pela queda do muro, pelas transformações sociais, políticas e económicas das últimas décadas e que ciclicamente entra em confusão mental.

Só isso.

Infelizmente.