Um dos maiores logros que se tem tentando introduzir no debate político é a criação de círculos uninominais.
Normalmente tenho bastantes dúvidas e engano-me com frequência.
Sobre esta questão não tenho qualquer dúvida e estou convencido que não me engano.
O principal fundamento de quem defende os círculos uninominais é o da necessidade de aproximar eleitores e eleitos. Responsabilizando os deputados perante quem os elege.
Eu não me sinto melhor representado por alguém só porque esse alguém mora na minha rua, na minha cidade ou no meu concelho.
Os círculos uninominais, na sua fórmula pura, conduzem a uma completa distorção da realidade. Como em cada círculo só é eleito o candidato mais votado, pode ter sido eleito por menos de um terço dos eleitores, mas representa todos eles.
Nós temos um sistema político desequilibrado e autista, em que se passa de uma realidade municipal para uma realidade nacional, sem uma estrutura intermédia que de forma evidente, é necessária.
Está incutida na sociedade portuguesa a ideia que o parlamento é uma Corte, constituída por representadas das diversas zonas do País, ao estilo da Idade Média. Mas não é. É um Parlamento nacional, em que os titulares devem desempenhar o seu cargo pensando numa perspectiva nacional, mesmo quando votam uma Lei que tenham uma incidência geográfica mais restrita.
O que eu quero é um deputado que pense o País como um todo e não um cacique, porque é o caciquismo que se vai promover se os círculos uninominais avançarem. Como foi eleito pelo seu círculo, o deputado em causa sentir-se-á compelido a defender apenas e só os interesses daqueles que o elegeram, sem ter uma perspectiva global do País. Teremos uma Assembleia constituída por 230 representantes dos seus próprios interesses, aumentando a já longa rede clientelar que caracteriza o exercício do poder político.
Preconizo um sistema completamente diferente. Entendo que a melhor solução é um círculo nacional único. Com a possibilidade de os eleitores escolherem os deputados que querem ver na Assembleia. Eu voto no partido A, mas escolho o deputado B, a deputada C, o deputado D, etc..
Assim, posso exigir aos deputados que elegi o cumprimento dos seus projectos, posso acompanhar aquilo que fazem porque sei exactamente quem elegi.
Sem a batota dos círculos uninominais.
Como também entendo que certas questões têm um carácter regional e não meramente local, parece-me obvio que devem ser criadas regiões, com órgãos eleitos.
Afirmar que uma eleição onde o eleitor tem que escolher, para além do partido, os deputados é um argumento de cariz processual que pela sua própria natureza cede perante a substância do problema.
(este texto é um esboço, muito mal estruturado e pouco congruente. Voltarei ao assunto)
7/03/2007
6/29/2007
ENTRETIDOS COM A BANDA DESENHADA DO HOMEM-ARANHA, NINGUÉM LÊ RUSSELL?
O mais espantoso do caso do dia “Centro de Saúde” é que ninguém faz a pergunta que realmente importa: Mas porque raio é que um director de centro de saúde é escolhido pela sua filiação/simpatia partidária? Seja PC, PS, PSD ou CDS e futuramente BE.
A DIRECTORA, O MARIDO, O MÉDICO E O VEREADOR
a directora do centro de saúde de vieira do Minho, casada com o vice-presidente da câmara lá do sítio, foi exonerada por não ter impedido que um médico desse centro de saúde, também vereador na mesma câmara, colocasse um qualquer cartaz alusivo ao ministro da saúde. foi substituída por um senhor, também vereador numa das câmaras da região.
(esta estória não merece maiúsculas)
É o Portugal dos Pequeninos, dos aparelhos partidários locais a funcionar num estado de despeito autocrático, o outro lado do espelho do Estado de Direito Democrático oficial.
Que La Féria aproveite a história e faça uma boa ópera bufa.
(esta estória não merece maiúsculas)
É o Portugal dos Pequeninos, dos aparelhos partidários locais a funcionar num estado de despeito autocrático, o outro lado do espelho do Estado de Direito Democrático oficial.
Que La Féria aproveite a história e faça uma boa ópera bufa.
6/28/2007
DEPOIS DO PÂNTANO, FINALMENTE A PLANÍCIE
Francisco Louçã apareceu na política portuguesa há muitos anos, quando grande parte dos seus apoiantes de hoje ainda viam a Pipi das Meias Altas. Louçã tem a tarimba das intermináveis discussões feitas de estocadas de florete entremeadas com golpes de martelo-pilão, que caracterizou durante anos um habitat muito particular da política portuguesa – a esquerda dita revolucionária. Hoje, com um mimetismo curioso (ou talvez não, dado que muitos dos protagonistas são os mesmos) a sua função é ocupada por uma “fauna” que embevece qualquer David Attenborough da política – os liberais (seja lá o que isso for).
No final dos anos 90, Louçã conseguiu finalmente tornar os jovens lobos numa coisa séria q.b. – O Bloco de Esquerda.
Sobretudo porque Louçã, goste-se ou não das suas posições, está muito acima da mediania que caracteriza o resto do grupo, percebeu por que caminho tinha espaço para avançar, o Bloco cresceu.
E quando parecia que o caminho iria ser feito com relativa calma, as coisas complicaram-se.
Primeiro com o mau desempenho nas autárquicas de 2005. Depois com os péssimos resultados nas Presidenciais. A confusão estava instalada e o rumo escolhido parecia ser quase suicidário. Louçã (ou o Bloco) resolveu virar-se para os sindicatos que desde sempre tinham sido dominados pelo PC. O PC, que em qualquer circunstância ficaria com um sentimento de despeito, pior ficou, dado que o comité central é hoje constituído por muitos sindicalistas (a começar em Jerónimo). Para mais quando Carvalho da Silva está longe de ter a confiança do comité (basta ver José Ernesto Cartaxo no papel de sombra). O PC reagiu violentamente.
Dir-se-ia que com violência a mais, o que não admira, dada a miopia da actual direcção. Procurou escorraçar o Bloco da GCTP e satélites adjacentes.
E, na ânsia de marcar posição marcou (entre outras razões) a Greve Geral. Francisco Louçã, com lodo até ao pescoço, sorriu.
A greve geral foi o maior insucesso de Jerónimo de Sousa e um ramo que permitiu ao Bloco e sobretudo a Louça sair do pântano. Dias depois, Louçã, sentenciava, ufano que os sindicatos não eram propriedade de nenhum partido (estou a citar de côr).
Louçã, depois de quase dois anos de chafurdice no pântano, estava agora de regresso à planície. Tudo graças ao PCP.
A política é mesmo irónica, não é?
No final dos anos 90, Louçã conseguiu finalmente tornar os jovens lobos numa coisa séria q.b. – O Bloco de Esquerda.
Sobretudo porque Louçã, goste-se ou não das suas posições, está muito acima da mediania que caracteriza o resto do grupo, percebeu por que caminho tinha espaço para avançar, o Bloco cresceu.
E quando parecia que o caminho iria ser feito com relativa calma, as coisas complicaram-se.
Primeiro com o mau desempenho nas autárquicas de 2005. Depois com os péssimos resultados nas Presidenciais. A confusão estava instalada e o rumo escolhido parecia ser quase suicidário. Louçã (ou o Bloco) resolveu virar-se para os sindicatos que desde sempre tinham sido dominados pelo PC. O PC, que em qualquer circunstância ficaria com um sentimento de despeito, pior ficou, dado que o comité central é hoje constituído por muitos sindicalistas (a começar em Jerónimo). Para mais quando Carvalho da Silva está longe de ter a confiança do comité (basta ver José Ernesto Cartaxo no papel de sombra). O PC reagiu violentamente.
Dir-se-ia que com violência a mais, o que não admira, dada a miopia da actual direcção. Procurou escorraçar o Bloco da GCTP e satélites adjacentes.
E, na ânsia de marcar posição marcou (entre outras razões) a Greve Geral. Francisco Louçã, com lodo até ao pescoço, sorriu.
A greve geral foi o maior insucesso de Jerónimo de Sousa e um ramo que permitiu ao Bloco e sobretudo a Louça sair do pântano. Dias depois, Louçã, sentenciava, ufano que os sindicatos não eram propriedade de nenhum partido (estou a citar de côr).
Louçã, depois de quase dois anos de chafurdice no pântano, estava agora de regresso à planície. Tudo graças ao PCP.
A política é mesmo irónica, não é?
6/01/2007
5/31/2007
PATERNALISMOS ANACRÓNICOS
Daniel Oliveira é um bloquista e um bloguista sobejamente conhecido.
De vez em quando passo pelo seu blogue (naqueles dias do mês em que a paciência não está a zero) onde, na última passagem encontrei esta pérola “Sete Razões para fazer greve – É evidente que se o nosso Estado é irracional no uso dos seus recursos financeiros, também o é no uso dos seus recursos humanos. Há situação disparatadas em quase todos os serviços públicos. Mas devemos ser claros: num país em que se recebe mal, o “emprego para a vida” foi a forma do Estado compensar a fragilidade do tecido económico do país.”
Ou seja, o Daniel Oliveira acha que a solução para um país onde se recebe mal é criar emprego público para a vida, seja ou não necessário, socialmente justo e economicamente sustentável. Já para não falar do facto de, não sendo possível assegurar emprego público a toda a gente, quem não têm essa benesse está a ser comparativamente lesado.
Acresce que como o Daniel Oliveira bem sabe, a esmagadora maioria das pessoas que acederam à Função Pública não são propriamente pobres ou de classes sociais desfavorecidas, mas da classe média.
Eu pensei que a solução para compensar a fragilidade do tecido económico passava por coisas como a criação de infra-estruturas viárias, a fiscalização da concorrência desleal e de outros comportamentos análogos ou a formação profissional.
Estou obviamente enganado.
Acrescento apenas que esta visão das coisas tem suficientes pontos de contacto com a forma de ver as coisas do Dr. Oliveira Salazar, que gostava de proteger os seus conterrâneos de quase tudo, sobretudo da sociedade livre e aberta que mesmo com entorses, se ia construindo na Europa, o que devia levar Daniel Oliveira e os seus correligionários a uma reflexão séria.
E de preferência sem espasmos ou despeito.
De vez em quando passo pelo seu blogue (naqueles dias do mês em que a paciência não está a zero) onde, na última passagem encontrei esta pérola “Sete Razões para fazer greve – É evidente que se o nosso Estado é irracional no uso dos seus recursos financeiros, também o é no uso dos seus recursos humanos. Há situação disparatadas em quase todos os serviços públicos. Mas devemos ser claros: num país em que se recebe mal, o “emprego para a vida” foi a forma do Estado compensar a fragilidade do tecido económico do país.”
Ou seja, o Daniel Oliveira acha que a solução para um país onde se recebe mal é criar emprego público para a vida, seja ou não necessário, socialmente justo e economicamente sustentável. Já para não falar do facto de, não sendo possível assegurar emprego público a toda a gente, quem não têm essa benesse está a ser comparativamente lesado.
Acresce que como o Daniel Oliveira bem sabe, a esmagadora maioria das pessoas que acederam à Função Pública não são propriamente pobres ou de classes sociais desfavorecidas, mas da classe média.
Eu pensei que a solução para compensar a fragilidade do tecido económico passava por coisas como a criação de infra-estruturas viárias, a fiscalização da concorrência desleal e de outros comportamentos análogos ou a formação profissional.
Estou obviamente enganado.
Acrescento apenas que esta visão das coisas tem suficientes pontos de contacto com a forma de ver as coisas do Dr. Oliveira Salazar, que gostava de proteger os seus conterrâneos de quase tudo, sobretudo da sociedade livre e aberta que mesmo com entorses, se ia construindo na Europa, o que devia levar Daniel Oliveira e os seus correligionários a uma reflexão séria.
E de preferência sem espasmos ou despeito.
5/30/2007

Chico amigo!
O que se passa contigo?
Andas ausente, rapaz
Sem essa verve loquaz
E o espírito arguto
Que de ti fazia
O mais velho puto
Na nossa freguesia
Bateste à porta
Do sindicato
Veio resposta torta
E algum desacato
Aprendiz de feiticeiro
Deve ter prudência
Que do lado esquerdo mais rasteiro
Não quer o PC co-gerência
Isso de engatar suburbanos
Está cada vez mais difícil…
Longe vão os anos
Em que de cada lado havia o míssil
Se de facto queres ser moderno
Faz-me Chico um grande favor
Deixa de usar esse bolorento caderno
Que de velho com cara de novo tenho pavor.
Deste teu amigo que escuta as tuas encíclicas com um sorriso nos lábios
O que se passa contigo?
Andas ausente, rapaz
Sem essa verve loquaz
E o espírito arguto
Que de ti fazia
O mais velho puto
Na nossa freguesia
Bateste à porta
Do sindicato
Veio resposta torta
E algum desacato
Aprendiz de feiticeiro
Deve ter prudência
Que do lado esquerdo mais rasteiro
Não quer o PC co-gerência
Isso de engatar suburbanos
Está cada vez mais difícil…
Longe vão os anos
Em que de cada lado havia o míssil
Se de facto queres ser moderno
Faz-me Chico um grande favor
Deixa de usar esse bolorento caderno
Que de velho com cara de novo tenho pavor.
Deste teu amigo que escuta as tuas encíclicas com um sorriso nos lábios
A AGITAÇÃO SOCIAL E A SUA CONFUSÃO COM UMA ESPÉCIE DE DELIRIUM TREMENS
No fim do ano passado, os comentadores habituais vaticinaram um 2007 de muita agitação social. Chegados quase a meio de 2007, a agitação social resume-se a uma greve dita geral. Depressa entraremos na época de Verão (a silly season já começou, acompanhando as alterações climáticas) e restam 3 meses (que por força do Natal se resumem a 2) para o fim do ano.
Para agitação social convenhamos que é muito pouco. Se quisermos ser objectivos, aquilo que agitou a sociedade, que a fez debater, apresentar soluções alternativas para um problema não foi certamente o objecto desta greve (as políticas do Governo), mas coisas bem mais triviais, como a continuação do treinador do Benfica ou o desaparecimento de uma menor numa estância de férias (que sendo pungente do ponto de vista humano, está longe de afectar a vida de milhões de pessoas).
Isto não é necessariamente bom, mesmo para quem, como eu, entende que de uma forma geral as mudanças que o Governo tenta introduzir são necessárias, razoavelmente adequadas e relativamente proporcionais.
Só que carecem de escrutínio, de debate, de sindicância até. E isso não é feito. Nem será nunca feito enquanto se mantiverem à frente dos sindicatos as pessoas que lá estão, com as ideias que sustentam.
Um cidadão com um mínimo de bom senso que queira ser informado, está, em bom português, lixado. De um lado tem sindicatos que pura e simplesmente não aceitam o sistema, que ao contrário do que tentam passar, não se integram no movimento sindical europeu. Do outro a oposição (não esta oposição em concreto, mas todas as oposições) que de forma demagógica defende hoje o que ontem criticou violentamente e vice-versa.
Veja-se o caso exemplar de Carvalho da Silva, líder da CGTP há 21 anos. Exactamente. 21 anos. Toda a gente fala dos dinossauros autárquicos, do reinado do Dr. Jardim, do Sr. Pinto da Costa, mas ninguém questiona se é ou não um sintoma de vitalidade que há mais de duas décadas Carvalho da Silva se mantenha na liderança. Carvalho da Silva é particularmente esperto, tem a tarimba do combate corpo a corpo, feito de golpes baixos e primários. De uma forma hábil induz regras gerais de casos particulares. É um centralista democrático que defende a democracia de tipo burguês para os outros.
Do outro lado da barricada, o Governo (e todos os governos) não reconhecendo implicitamente a legitimidade substancial destes sindicatos, mas sendo obrigado formalmente a ouvi-los, trata-os com sobranceria na exacta medida da sua legitimidade eleitoral. Simplificando: os governos sabem que muito mais que os partidos, os sindicatos perderam representatividade aos longo dos anos, sabem que se entrincheiraram na função pública, numa atitude cobarde e fácil e que os seus membros são tão carreiristas como os boys dos partidos, mas comem da mesma malga e que o seu discurso radical e anti-sistema acaba por ser uma carta branca para que cada governo actue sem um verdadeiro escrutínio.
Assim, repito, o cidadão com um mínimo de bom senso está lixado.
Veja-se o exemplo da função pública. O governo quer abrir a redoma e pergunta aos sindicatos sobre a melhor forma de o fazer. A resposta dos sindicatos é esclarecedora: não querem simplesmente abrir a redoma. Não põem sequer a hipótese de abrir a redoma.
Como é que se pode negociar com alguém que pura e simplesmente não quer negociar?
Resultado: o governo faz o que bem entende e em resposta (nem sempre racional) abre a redoma sem aviso.
Aliás, Carvalho da Silva reconhece a esquizofrenia da sua (?) posição quando afirma que a greve não é contra o governo, mas “contra as políticas do governo”.
Eu gostaria de ter um sindicato que verdadeiramente sindicasse o governo, que apresentasse alternativas sérias, viáveis e fundamentadas. Que no fundo, desse algum trabalho e obrigasse o governo a ser mais rigoroso.
Com estes homens e mulheres e com as suas ideias, tal não vai ser possível. Com gente como Mário Nogueira (como é que é possível que os professores se vejam representados naquela personagem anacrónica?!!!), ou Ana Avoila não me parece.
A tão falada agitação social afinal é apenas o delirium tremens http://pt.wikipedia.org/wiki/Delirium_tremens de uma minoria há muito doente, que não deu pela queda do muro, pelas transformações sociais, políticas e económicas das últimas décadas e que ciclicamente entra em confusão mental.
Só isso.
Infelizmente.
Para agitação social convenhamos que é muito pouco. Se quisermos ser objectivos, aquilo que agitou a sociedade, que a fez debater, apresentar soluções alternativas para um problema não foi certamente o objecto desta greve (as políticas do Governo), mas coisas bem mais triviais, como a continuação do treinador do Benfica ou o desaparecimento de uma menor numa estância de férias (que sendo pungente do ponto de vista humano, está longe de afectar a vida de milhões de pessoas).
Isto não é necessariamente bom, mesmo para quem, como eu, entende que de uma forma geral as mudanças que o Governo tenta introduzir são necessárias, razoavelmente adequadas e relativamente proporcionais.
Só que carecem de escrutínio, de debate, de sindicância até. E isso não é feito. Nem será nunca feito enquanto se mantiverem à frente dos sindicatos as pessoas que lá estão, com as ideias que sustentam.
Um cidadão com um mínimo de bom senso que queira ser informado, está, em bom português, lixado. De um lado tem sindicatos que pura e simplesmente não aceitam o sistema, que ao contrário do que tentam passar, não se integram no movimento sindical europeu. Do outro a oposição (não esta oposição em concreto, mas todas as oposições) que de forma demagógica defende hoje o que ontem criticou violentamente e vice-versa.
Veja-se o caso exemplar de Carvalho da Silva, líder da CGTP há 21 anos. Exactamente. 21 anos. Toda a gente fala dos dinossauros autárquicos, do reinado do Dr. Jardim, do Sr. Pinto da Costa, mas ninguém questiona se é ou não um sintoma de vitalidade que há mais de duas décadas Carvalho da Silva se mantenha na liderança. Carvalho da Silva é particularmente esperto, tem a tarimba do combate corpo a corpo, feito de golpes baixos e primários. De uma forma hábil induz regras gerais de casos particulares. É um centralista democrático que defende a democracia de tipo burguês para os outros.
Do outro lado da barricada, o Governo (e todos os governos) não reconhecendo implicitamente a legitimidade substancial destes sindicatos, mas sendo obrigado formalmente a ouvi-los, trata-os com sobranceria na exacta medida da sua legitimidade eleitoral. Simplificando: os governos sabem que muito mais que os partidos, os sindicatos perderam representatividade aos longo dos anos, sabem que se entrincheiraram na função pública, numa atitude cobarde e fácil e que os seus membros são tão carreiristas como os boys dos partidos, mas comem da mesma malga e que o seu discurso radical e anti-sistema acaba por ser uma carta branca para que cada governo actue sem um verdadeiro escrutínio.
Assim, repito, o cidadão com um mínimo de bom senso está lixado.
Veja-se o exemplo da função pública. O governo quer abrir a redoma e pergunta aos sindicatos sobre a melhor forma de o fazer. A resposta dos sindicatos é esclarecedora: não querem simplesmente abrir a redoma. Não põem sequer a hipótese de abrir a redoma.
Como é que se pode negociar com alguém que pura e simplesmente não quer negociar?
Resultado: o governo faz o que bem entende e em resposta (nem sempre racional) abre a redoma sem aviso.
Aliás, Carvalho da Silva reconhece a esquizofrenia da sua (?) posição quando afirma que a greve não é contra o governo, mas “contra as políticas do governo”.
Eu gostaria de ter um sindicato que verdadeiramente sindicasse o governo, que apresentasse alternativas sérias, viáveis e fundamentadas. Que no fundo, desse algum trabalho e obrigasse o governo a ser mais rigoroso.
Com estes homens e mulheres e com as suas ideias, tal não vai ser possível. Com gente como Mário Nogueira (como é que é possível que os professores se vejam representados naquela personagem anacrónica?!!!), ou Ana Avoila não me parece.
A tão falada agitação social afinal é apenas o delirium tremens http://pt.wikipedia.org/wiki/Delirium_tremens de uma minoria há muito doente, que não deu pela queda do muro, pelas transformações sociais, políticas e económicas das últimas décadas e que ciclicamente entra em confusão mental.
Só isso.
Infelizmente.
5/24/2007
Tenho a noção que ser ministro da saúde dá cabo da dita.
Que temos uma história de ministros da saúde cilindrados pelos abutres que pululam à sua volta.
Que muitas pessoas exercem as suas funções nas respectivas classes (médicos, enfermeiros, farmacêuticos) em plena liberdade, mas sem a mínima responsabilidade social.
Posto isto não posso deixar de considerar que Correia de Campos tem exercido a sua função sem o bom senso que lhe é exigível.
Não se trata tanto das medidas em si, mas da forma como ele as apresenta ou faz que apresenta, sugere, alvitra, como se estivesse no café do seu bairro a falar com os amigos.
Aquilo que eu exijo de um ministro da saúde é que me explique, de uma forma clara, quais são as suas grandes opções e não que ciclicamente venha para a comunicação social apresentar hipóteses de forma avulsa.
Repito que provavelmente concordo com muitas das medidas que Correia de Campos toma (fecho das maternidades, por exemplo). Mas não concordo com a forma desarticulada como as aborda e tenta implementar.
Posto isto e sublinhando que Correia de Campos é o principal responsável por aquilo que diz e faz, não posso deixar de referir a atitude da oposição.
Em vez de pedirem, de forma histérica e inconsequente, a presença na Assembleia da República, da Ministra da Educação por causa de um alegado fundamentalismo de um funcionário político ou do Ministro Mário Lino por ter concluído uma evidência, deviam exigir que Correia de Campos definisse e apresentasse de uma vez por todas, as suas opções para a Saúde. Só que isso, para ser sério e rigoroso, dá muito trabalho, porque é necessário ter soluções alternativas que sejam fundamentadas e credíveis. Implica estudo, ponderação, trabalho.
Enquanto a oposição se resumir ao vácuo do “A meio caminho de lado nenhum”…
Estamos quilhados.
Duplamente quilhados.
Que temos uma história de ministros da saúde cilindrados pelos abutres que pululam à sua volta.
Que muitas pessoas exercem as suas funções nas respectivas classes (médicos, enfermeiros, farmacêuticos) em plena liberdade, mas sem a mínima responsabilidade social.
Posto isto não posso deixar de considerar que Correia de Campos tem exercido a sua função sem o bom senso que lhe é exigível.
Não se trata tanto das medidas em si, mas da forma como ele as apresenta ou faz que apresenta, sugere, alvitra, como se estivesse no café do seu bairro a falar com os amigos.
Aquilo que eu exijo de um ministro da saúde é que me explique, de uma forma clara, quais são as suas grandes opções e não que ciclicamente venha para a comunicação social apresentar hipóteses de forma avulsa.
Repito que provavelmente concordo com muitas das medidas que Correia de Campos toma (fecho das maternidades, por exemplo). Mas não concordo com a forma desarticulada como as aborda e tenta implementar.
Posto isto e sublinhando que Correia de Campos é o principal responsável por aquilo que diz e faz, não posso deixar de referir a atitude da oposição.
Em vez de pedirem, de forma histérica e inconsequente, a presença na Assembleia da República, da Ministra da Educação por causa de um alegado fundamentalismo de um funcionário político ou do Ministro Mário Lino por ter concluído uma evidência, deviam exigir que Correia de Campos definisse e apresentasse de uma vez por todas, as suas opções para a Saúde. Só que isso, para ser sério e rigoroso, dá muito trabalho, porque é necessário ter soluções alternativas que sejam fundamentadas e credíveis. Implica estudo, ponderação, trabalho.
Enquanto a oposição se resumir ao vácuo do “A meio caminho de lado nenhum”…
Estamos quilhados.
Duplamente quilhados.
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